{"id":1397,"date":"2022-03-28T14:46:48","date_gmt":"2022-03-28T17:46:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.usp.br\/alterjor\/?p=1397"},"modified":"2022-03-28T14:46:48","modified_gmt":"2022-03-28T17:46:48","slug":"cobertura-jornalistica-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/?p=1397","title":{"rendered":"COBERTURA JORNAL\u00cdSTICA AMBIENTAL"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0391447376332844\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9ia Terzariol Couto<\/a>.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais observ\u00e1veis sobre a cobertura jornal\u00edstica ambiental \u00e9 a sua \u201csazonalidade\u201d, ou seja: ela s\u00f3 aparece, pelo menos na m\u00eddia hegem\u00f4nica, para tratar de trag\u00e9dias ou situa\u00e7\u00f5es de grandes propor\u00e7\u00f5es que envolvam a natureza: inunda\u00e7\u00f5es, enchentes, deslizamentos, desmoronamentos, inc\u00eandios, erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, rompimento de barragens, secas intensas vitimando pessoas e animais. Ou quando h\u00e1 algum assunto de impacto ambiental, como por exemplo, a chamada PL do veneno, votada \u00e0s pressas no in\u00edcio de fevereiro, despejando mais \u2013 como se isso ainda fosse poss\u00edvel \u2013 veneno na mesa dos brasileiros. Passado o \u201cquente\u201d do assunto, cai no esquecimento. Raramente desenvolvendo os acontecimentos relacionados e contextualizados com algo maior, ou seja, com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. H\u00e1 algumas exce\u00e7\u00f5es, por\u00e9m o que se nota \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 uma continuidade na cobertura ambiental. Nessa semana, outro desastre ambiental est\u00e1 prestes a acontecer: de acordo com mat\u00e9ria do Correrio Braziliense de\u00a008\/03\/2022,<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNesta tarde de ter\u00e7a-feira (8\/3), ocorrer\u00e1 uma reuni\u00e3o entre o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e l\u00edderes a fim de costurar e encontrar uma forma de acelerar a vota\u00e7\u00e3o do projeto de lei (PL) 191\/2020 que libera a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas. A reuni\u00e3o ocorrer\u00e1 \u00e0s 15h (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia)\u201d. (Grifo meu)<\/p><\/blockquote>\n<p>O saque ambiental promovido pelo atual governo continua de forma \u00e1vida e r\u00e1pida e motivo n\u00e3o somente para uma ampla difus\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m para discutir o complexo sistema (econ\u00f4mico) por tr\u00e1s dessa urg\u00eancia.<\/p>\n<p>Como se explica esse comportamento da cobertura ambiental pelo jornalismo hegem\u00f4nico? Afinal, todo o planeta est\u00e1 envolvido nos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e n\u00e3o se pode esperar que acontecimentos pontuais ocorram para que sejam not\u00edcia na m\u00eddia. A falta de interesse por parte da grande m\u00eddia tem liga\u00e7\u00e3o com seus os apoiadores econ\u00f4micos, por\u00e9m s\u00e3o essas mesmas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que est\u00e3o tamb\u00e9m impactando a produ\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o das commodities. Se o agroneg\u00f3cio \u00e9 imediatista \u2013 desmatamento para alocar as planta\u00e7\u00f5es de soja e pastos para a pecu\u00e1ria, podem gerar um lucro a curto prazo, por\u00e9m as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a crise h\u00eddrica podem colocar tudo a perder. No tocante \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o, quanto mais veneno, mais seletivo ser\u00e1 o mercado externo a comprar os produtos, como a Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, que observa atentamente o uso indiscriminado de agrot\u00f3xicos nas lavouras brasileiras de exporta\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/mail-attachment.googleusercontent.com\/attachment\/u\/0\/?view=att&amp;th=17fd15aa46d46cfb&amp;attid=0.1&amp;disp=vah&amp;realattid=f_l0ijztv20&amp;safe=1&amp;zw&amp;saddbat=ANGjdJ9O3K_8GrzhvKF8rNXrexbZaGl_uXT2HoIIP0TknHQ-TUiQK4zipUZXhYdysZp9fzZ2H-io1vNNZr1XYv8VIU7yG15s7Pik685eQ6UQMZkdf26do0epEv-DV2bxaglySYcyQE-TKPbYgRLo-oaToidWKAOtFV37KxNtiyjacdzzlltqehB2l4va0fLcitFupo-UZYQq3kHHflXOh4wZiMMUkkIdb7J6sou8rgGSuiO4YmtvJRpu44PURb3ytoyYbn9HZAjZJ_VAhxvWKlKk3H8IcQu2t0UBpm7T32-2Uy4RVWv3aUjhcFZtbQqais7KveEy-gBLcm4J4x2u88fJwd9f4aEN-v05e5Sc4mge49vjB9o2wY4mfpuRYbjik8aagrzWHGhAM9Hw1MGr7Ea2QyDiIE2ly2T7anu9ZyzZeyQTpz8YPdwXKbVWmUD_joOtQ5SoxeJZv8AHiKhNZZCpVMUpFsBB2wtvDSPub5-mwctIlqE8PasrW-rsDOk8Qxsp-QlPGmEVxmDcIrGnWiNVr77J4ny4AtVxo-GfIukOQKLDx4g189GSuTJ0N8AFhBvvig0iRBGHdIvqwTTFErlP96bFOM8Y3w2FdSrVm_nUnEfQ1LVfg2nUOagerMlzD_eXHU0LBYrFiaVLD1L7_ETXJyvv7YRCafMhcd1R_E7P5o4Mxml9MxS-q2ygW1-SbWC0cPO6nljwDO4-PH9l#0.1_footnote1\">1<\/a>. Dessa forma, se em curto prazo pode-se escancarar a porteira, adiante haver\u00e1 barreiras naturais e econ\u00f4micas para o agroneg\u00f3cio predat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O m\u00eas de fevereiro apresentou duas situa\u00e7\u00f5es que mobilizaram a cobertura ambiental: o Projeto de Lei &#8211; PL do Veneno e, dias depois, a trag\u00e9dia de Petr\u00f3polis. A cobertura midi\u00e1tica do segundo fato foi mais intensa, enquanto que o primeiro n\u00e3o mobilizou como deveria, o grande p\u00fablico, atingido em cheio na sua sa\u00fade pela irresponsabilidade, pressa e interesses de 301 deputados (uma consulta na internet e o leitor ver\u00e1 como votou cada um).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cobertura ambiental, como deveria ser colocada a pauta sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de forma a mobilizar, envolver o receptor? Segundo Raul Galhardi, para a Rede de Jornalistas Internacionais, atrav\u00e9s do site\u00a0<a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">envolverde.com.br<\/a>, uma pesquisa do\u00a0Reuters Institute for Study of Journalism\u00a0indica algumas quest\u00f5es de fundo que devem permear a cobertura ambiental: \u201cquem deveria contar essas hist\u00f3rias? O que se espera que esses profissionais saibam para produzirem mat\u00e9rias com precis\u00e3o? Como essas hist\u00f3rias deveriam ser contadas?\u201d<\/p>\n<p>O assunto sobre a forma\u00e7\u00e3o do jornalista ambiental tem sido bastante discutido nos meios especializados. H\u00e1 um d\u00e9ficit de forma\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea, e o meio ambiente acaba entrando junto com outros assuntos na editoria de Ci\u00eancias, na maioria dos casos. Assim, o jornalista que cobre meio ambiente trabalha tamb\u00e9m em outras frentes. Esse seria um dos motivos pelos quais a cobertura deixa de ser, muitas vezes, sist\u00eamica, reflexiva e aprofundada. Al\u00e9m disso, a especializa\u00e7\u00e3o do jornalista na \u00e1rea significa uma melhor cobertura, mais aprofundada, cr\u00edtica, anal\u00edtica. Fora do circuito hegem\u00f4nico, a cobertura mais espec\u00edfica atua onde a grande imprensa n\u00e3o vai. Os jornalistas que querem se especializar acabam fazendo isso por conta pr\u00f3pria, frequentando cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, workshops e procurando redes de jornalistas ambientais independentes no Brasil e no exterior. Em resumo, podemos colocar a cobertura ambiental nos seguintes termos:<\/p>\n<h3>Como deveria ser:<\/h3>\n<ul>\n<li>Constante;<\/li>\n<li>Investigativa;<\/li>\n<li>Cobrar do poder p\u00fablico a\u00e7\u00f5es efetivas;<\/li>\n<li>Insistir na preven\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Verificar e os recursos enviados pelo poder p\u00fablico aos gestores est\u00e3o sedo usados adequadamente;<\/li>\n<li>Verificar se o que foi prometido pelo poder p\u00fablico est\u00e1 sendo feito de fato.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Como \u00e9 na grande m\u00eddia:<\/h3>\n<ul>\n<li>Surge em momentos de crise;<\/li>\n<li>Imediatista;<\/li>\n<li>Emotiva;<\/li>\n<li>Sensacionalista;<\/li>\n<li>Impactante;<\/li>\n<li>N\u00e3o contextualizada;<\/li>\n<li>Cobertura pontual de cat\u00e1strofes retomam hist\u00f3ricos anteriores.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Como \u00e9 na m\u00eddia alternativa especializada:<\/h3>\n<ul>\n<li>Constante;<\/li>\n<li>Anal\u00edtica;<\/li>\n<li>Vigilante;<\/li>\n<li>Contextualizada com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas;<\/li>\n<li>Cobra a\u00e7\u00f5es efetivas e preventivas do poder p\u00fablico;<\/li>\n<li>Cr\u00edtica;<\/li>\n<li>Prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Sobre os acontecimentos que envolveram o meio ambiente em fevereiro<\/h3>\n<p>Inicialmente, h\u00e1 um contexto geral: o aquecimento global e consequentemente as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ligadas \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana sobre a natureza. Esse aquecimento \u00e9 uma realidade, sendo que o aumento na temperatura m\u00e9dia do planeta na atualidade \u00e9 de 1,2\u00b0 C. Assim, trag\u00e9dias como as observadas em Petr\u00f3polis no \u00faltimo m\u00eas tender\u00e3o a ser cada vez mais constantes. S\u00e3o FATOS que n\u00e3o podem ser escamoteados. Nesse sentido, o poder p\u00fablico tem que estar preparado. Outra consequ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas refere-se \u00e0 quest\u00e3o h\u00eddrica \u2013 o desequil\u00edbrio no regime das \u00e1guas. No atual per\u00edodo de chuvas S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais Bahia sofreram severas inunda\u00e7\u00f5es, enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta uma das piores secas dos \u00faltimos 70 anos. No Brasil, o agroneg\u00f3cio, muito dependente do regime de chuvas, desmata \u2013 por\u00e9m o setor j\u00e1 come\u00e7a a sentir os efeitos desse sistema predat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Passamos ent\u00e3o para o fato \u201cisolado\u201d, Petr\u00f3polis, 15\/02\/22 \u2013 em seis horas choveu o equivalente a um m\u00eas. Foram cerca de 240 mil\u00edmetros em tr\u00eas horas, um n\u00edvel de chuva superior ao da m\u00e9dia esperada de fevereiro, segundo fontes oficiais, al\u00e9m de ter sido registrado o maior volume de chuvas em 24 horas, de acordo com a CEMADEN &#8211; Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, que faz o mapeamento h\u00e1 50 anos.<\/p>\n<p>De acordo com a defesa civil local, foram 189 deslizamentos registrados. Segundo o site Carbono Zero, a trag\u00e9dia de Petr\u00f3polis se repete sem solu\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de cem anos. Nesse \u00faltimo epis\u00f3dio, foram 181 mortos, como informou o corpo de bombeiros e mais de 100 desaparecidos.<\/p>\n<p>Se o aquecimento global tem responsabilidade direta pelos eventos clim\u00e1ticos, \u00e9 dever do poder p\u00fablico propor a\u00e7\u00f5es para mitigar os impactos, principalmente junto \u00e0s popula\u00e7\u00f5es que vivem em \u00e1reas de risco.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o serrana do Estado do Rio de Janeiro, que abrange as cidades de Petr\u00f3polis, Teres\u00f3polis, Nova Friburgo, entre outras, possui um hist\u00f3rico desalentador de desastres envolvendo desabamentos e enchentes h\u00e1 mais de cinquenta anos, e ap\u00f3s cada acontecimento, pouco ou nada se faz. Por ser uma \u00e1rea de encosta, est\u00e1 sujeita a quedas de barreiras, deslizamentos, a isso somados o desmatamento, ocupa\u00e7\u00e3o desordenada do espa\u00e7o, comprometimento das \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o com a derrubada de matas ciliares<a href=\"https:\/\/mail-attachment.googleusercontent.com\/attachment\/u\/0\/?view=att&amp;th=17fd15aa46d46cfb&amp;attid=0.1&amp;disp=vah&amp;realattid=f_l0ijztv20&amp;safe=1&amp;zw&amp;saddbat=ANGjdJ9O3K_8GrzhvKF8rNXrexbZaGl_uXT2HoIIP0TknHQ-TUiQK4zipUZXhYdysZp9fzZ2H-io1vNNZr1XYv8VIU7yG15s7Pik685eQ6UQMZkdf26do0epEv-DV2bxaglySYcyQE-TKPbYgRLo-oaToidWKAOtFV37KxNtiyjacdzzlltqehB2l4va0fLcitFupo-UZYQq3kHHflXOh4wZiMMUkkIdb7J6sou8rgGSuiO4YmtvJRpu44PURb3ytoyYbn9HZAjZJ_VAhxvWKlKk3H8IcQu2t0UBpm7T32-2Uy4RVWv3aUjhcFZtbQqais7KveEy-gBLcm4J4x2u88fJwd9f4aEN-v05e5Sc4mge49vjB9o2wY4mfpuRYbjik8aagrzWHGhAM9Hw1MGr7Ea2QyDiIE2ly2T7anu9ZyzZeyQTpz8YPdwXKbVWmUD_joOtQ5SoxeJZv8AHiKhNZZCpVMUpFsBB2wtvDSPub5-mwctIlqE8PasrW-rsDOk8Qxsp-QlPGmEVxmDcIrGnWiNVr77J4ny4AtVxo-GfIukOQKLDx4g189GSuTJ0N8AFhBvvig0iRBGHdIvqwTTFErlP96bFOM8Y3w2FdSrVm_nUnEfQ1LVfg2nUOagerMlzD_eXHU0LBYrFiaVLD1L7_ETXJyvv7YRCafMhcd1R_E7P5o4Mxml9MxS-q2ygW1-SbWC0cPO6nljwDO4-PH9l#0.1_footnote2\">2<\/a>. Andr\u00e9 Trigueiro, para o\u00a0Cidades e Solu\u00e7\u00f5es\u00a0de 19\/02,\u00a0apontou outro fator que corrobora para aumentar o problema das enchentes: \u201cas mais importantes bacias hidrogr\u00e1ficas de Petr\u00f3polis vertem \u00e1gua na dire\u00e7\u00e3o do centro hist\u00f3rico, que foi o epicentro da cat\u00e1strofe nesta semana\u201d. Somado a isso, a m\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o dos rios explica em parte essa trag\u00e9dia \u2013 lixo, entulho, restos de \u00e1rvores, descartados cotidianamente nas \u00e1guas fluviais.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o urbana sem planejamento \u00e9 pressionada pelo d\u00e9ficit de moradias; falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para habita\u00e7\u00e3o; neglig\u00eancia do poder p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico urbano; falta de mapeamento e retirada da popula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de risco; reordena\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico; verbas e vontade pol\u00edtica. Segundo o ge\u00f3grafo Milton Santos,<\/p>\n<blockquote><p>\u201c A cidade em si, como rela\u00e7\u00e3o social e como materialidade, torna-se criadora de pobreza, tanto pelo modelo socioecon\u00f4mico, de eu \u00e9 o suporte, como por sua estrutura f\u00edsica, que faz dos habitantes das periferias (e dos corti\u00e7os) pessoas ainda mais pobres. A pobreza n\u00e3o \u00e9 apenas o fato do modelo socioecon\u00f4mico vigente, mas, tamb\u00e9m, do modelo espacial (p. 10)<\/p>\n<p>(&#8230;) a urbaniza\u00e7\u00e3o corporativa, isto \u00e9, empreendida sob o comando dos interesses de grandes firmas, constitui um recept\u00e1culo das consequ\u00eancias de uma expans\u00e3o capitalista devorante dos recursos p\u00fablicos, uma vez que esses s\u00e3o orientados para os investimentos econ\u00f4micos, em detrimento dos gastos sociais&#8221;. (p. 105, 2013. A urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira. S.P.: EDUSP).<\/p><\/blockquote>\n<p>A pesquisa realizada pelo\u00a0Reuters Institute, mostrada pelo Envolverde, aponta ent\u00e3o alguns passos interessantes para uma boa cobertura ambiental: \u201ccontrate equipes com diferentes conhecimentos; treine regularmente as equipes; incorpore o jornalismo de dados; esteja aberto a outros formatos e conte hist\u00f3rias com imagens; simplifica\u00e7\u00e3o requer maestria no assunto; torne os problemas tang\u00edveis e crie conex\u00f5es; v\u00e1 al\u00e9m dos crit\u00e9rios ESG (\u201cenvironmental, social and governance\u201d. Por \u00faltimo, a pesquisa lembra que o jornalista ambiental \u201cn\u00e3o \u00e9 um ativista\u201d. Mas essa \u00e9 uma discuss\u00e3o para um pr\u00f3ximo texto.<\/p>\n<p>* Jamil Chade, em mat\u00e9ria para o <a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">noticias.uol.com.br<\/a>\u00a0(10\/02\/2022), afirmou que a aprova\u00e7\u00e3o do PL do Veneno foi vista com preocupa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es europeias.\u00a0&#8220;A aprova\u00e7\u00e3o deste projeto de lei \u00e9 muito preocupante&#8221;, disse Anna Cavazzini, deputada europeia pelo Partido Verde, presidente do Comit\u00ea sobre Mercado Interno e Prote\u00e7\u00e3o do Consumidor do Parlamento Europeu e l\u00edder por meses dos trabalhos do Legislativo nas rela\u00e7\u00f5es com o Mercosul.<\/p>\n<p>** O Senado aprovou no dia 14\/10\/21 o projeto que permite edif\u00edcios \u00e0s margens de rios e lagos em \u00e1rea urbana, alterando o C\u00f3digo Florestal, \u201catribuindo aos munic\u00edpios o dever de regulamentar as faixas de restri\u00e7\u00e3o \u00e0 beira de rios, c\u00f3rregos, lagos e lagoas nos seus limites urbanos (Da Ag\u00eancia Senado | 14\/10\/2021). A regulamenta\u00e7\u00e3o das faixa de restri\u00e7\u00e3o fica para os poderes locais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Andr\u00e9ia Terzariol Couto. 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