{"id":1900,"date":"2023-05-06T18:20:11","date_gmt":"2023-05-06T21:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/alterjor.webhostusp.sti.usp.br\/?p=1900"},"modified":"2023-07-20T21:19:08","modified_gmt":"2023-07-21T00:19:08","slug":"o-meio-ambiente-e-as-fake-news","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/?p=1900","title":{"rendered":"O MEIO AMBIENTE E AS FAKE NEWS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1559 aligncenter\" src=\"http:\/\/alterjor.webhostusp.sti.usp.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ANDREIA-300x165.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"165\" \/><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>As \u00faltimas semanas foram marcadas pela discuss\u00e3o sobre o PL das fake news, a aprova\u00e7\u00e3o da MP sobre a Mata Atl\u00e2ntica na C\u00e2mara dos Deputados e as consequ\u00eancias do aquecimento global na altera\u00e7\u00e3o do regime das chuvas na Fran\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o PL das fake news inclui at\u00e9 editorial de jornal\u00f5es falando em \u201cliberdade de express\u00e3o, inegoci\u00e1vel\u201d. Em meio ao debate do projeto de Lei das Fake News (PL 2630\/23), cuja vota\u00e7\u00e3o no \u00faltimo dia 02\/05 foi adiada, o meio ambiente tamb\u00e9m vem sendo afetado de alguma forma pelo disparo de not\u00edcias falsas. Al\u00e9m das mentiras sobre a apreens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, embargo de empresas rurais, confisco de gado, que s\u00e3o espalhadas por grupos de extrema direita ligados aos setores conservadores do agroneg\u00f3cio, o MST \u2013 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra tamb\u00e9m tem sido, j\u00e1 h\u00e1 alguns meses, v\u00edtima da extrema direita, que tenta colar a pecha de terrorismo no movimento social. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o MST \u00e9 alvo desse tipo de viol\u00eancia, uma vez que, desde o seu surgimento n\u00e3o apenas os extremistas tentam desqualific\u00e1-lo como tamb\u00e9m a grande imprensa, e isso n\u00e3o \u00e9 uma novidade. Na atualidade, o que vem com nova roupagem \u00e9 que as redes sociais s\u00e3o utilizadas de forma mais intensa para refor\u00e7ar uma ideia presente no imagin\u00e1rio de parte da popula\u00e7\u00e3o sobre um suposto radicalismo do movimento: comunista, invasor de terra, extremista, violento, fora da lei, e agora, terrorista, esse \u00faltimo tentando reverter uma ideia de terrorismo, uma vez que o termo voltou a circular desde os ataques \u2013 estes sim, terroristas \u2013 de 08 de janeiro, em Bras\u00edlia. Para a parcela da popula\u00e7\u00e3o que teme que o pa\u00eds vai virar comunista no atual governo, mesmo n\u00e3o sabendo o que significa o termo, \u00e9 a mesma que acredita em fake news dessa natureza e podemos inferir que tamb\u00e9m n\u00e3o sabem definir o que seja terrorismo ou atos terroristas.<\/p>\n<p>O \u00faltimo epis\u00f3dio envolvendo ruralistas e seu discurso intolerante contra o MST ocorreu na abertura do evento Agrishow, em Ribeir\u00e3o Preto, festa maior do agropop brasileiro. Para demarcar bem sua posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, os organizadores da festa convidaram Bolsonaro, que foi recebido com euforia pelos representantes do agroneg\u00f3cio, acompanhado de seu escudeiro, Tarc\u00edsio de Freitas, que tamb\u00e9m se deu ao direito de falar sobre (contra) o movimento. Para essa categoria, o MST \u00e9 inimigo. Seus representantes afirmam que sentar-se \u00e0 mesa com membros do MST para qualquer tipo de negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 impens\u00e1vel. Isso d\u00e1 mostras de qu\u00e3o fechado ao di\u00e1logo eles s\u00e3o e, ao mesmo tempo, se equivocam em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que se refere \u00e0 reforma agr\u00e1ria e sua produ\u00e7\u00e3o. Deveriam produzir cada um no seu quadrado, pois o que as terras cultivadas pelo MST produz \u00e9 alimento, e na sua grande maioria, alimento org\u00e2nico. O agro n\u00e3o produz comida, e sim, commodiites para exporta\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio do que afirmam, o movimento dos sem terra n\u00e3o invade terras, ocupa \u00e1reas improdutivas; o agro, t\u00e3o temeroso \u00e0s \u201cinvas\u00f5es\u201d de terra, deveria rever seus conceitos sobre grilagem e desmatamento para pasto e plantio de soja. O agro acusa o governo de ser ref\u00e9m do MST, mas o Brasil \u00e9 ref\u00e9m dos grande senhores de terra h\u00e1 mais de 500 anos. A lista comparativa \u00e9 grande. No quesito prote\u00e7\u00e3o ambiental, colocadas as duas categorias, \u00e9 bastante vis\u00edvel para que lado da balan\u00e7a tende a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente. No caminhar das investiga\u00e7\u00f5es sobre os atos terroristas de janeiro, cada vez mais surgem pessoas ligadas ao agroneg\u00f3cio no financiamento, operacionaliza\u00e7\u00e3o e ataques contra a democracia. Ao tentar mostrar uma suposta fachada criminosa do MST, tentam manipular, com not\u00edcias falsas, a opini\u00e3o do p\u00fablico, escondendo seus pr\u00f3prios atos e revertendo o discurso sobre \u201cinvas\u00f5es\u201d e criminalidade. Por exemplo, de acordo com o jornal <em>Folha de S.P.<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><em>,<\/em> um esquema que fraudava madeira extra\u00edda ilegalmente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica sofreu multa de R$ 56,8 aplicada pelo Ibama \u2013 Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais. O monitoramento e multas realizados pelo \u00f3rg\u00e3o, \u201cparalisadas no governo anterior, est\u00e3o causando rea\u00e7\u00f5es dos ruralistas, que agiam \u00e0 vontade durante o governo Bolsonaro e agora empregam inclusive not\u00edcias falsas para tentar desqualificar as a\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental. Entre as fake News disseminadas pelos ruralistas, estavam a paraliza\u00e7\u00e3o de 90% da produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da suspens\u00e3o de empresas e apreens\u00e3o de gado no Acre\u201d. A quem interessa as fake News?<\/p>\n<p><strong>Na rastro da destrui\u00e7\u00e3o, a aprova\u00e7\u00e3o da medida provis\u00f3ria 1.150\/2022 pela c\u00e2mara<\/strong><\/p>\n<p>O governo bolsonaro se foi, mais seu legado de destrui\u00e7\u00e3o ambiental continua. Contra todo o bom senso, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou a Medida Provis\u00f3ria 1.150\/2022. A MP segue agora para o Senado.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica e a lei que a protege, pois uma vez aprovada a MP, a Lei de prote\u00e7\u00e3o praticamente cai por terra. Em termos pr\u00e1ticos, possibilita que empreendimentos possam ser executados sem o devido estudo de impactos ambientais e mesmo de compensa\u00e7\u00e3o ambiental, al\u00e9m de permitir a remo\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. A Mata Atl\u00e2ntica \u2013 ou o pouco que resta dela \u2013 vem sofrendo danos frequentes, especialmente do setor imobili\u00e1rio, estendendo os condom\u00ednios constru\u00eddos no meio da mata nativa, al\u00e9m de empreendimentos agropastoris de maior envergadura. Se a MP for aprovada no Senado, os projetos passam a ser avaliados por governos municipais, o que torna sua aprova\u00e7\u00e3o mais certa.<\/p>\n<p>\u00c9 inconceb\u00edvel que uma \u00e1rea nativa dessa import\u00e2ncia esteja sendo esquartejada por interesses que passam ao largo da prote\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica. Depois de sofrermos por mais de quatro anos com os ataques aos nossos principais biomas, a aprova\u00e7\u00e3o da MP \u00e9 um verdadeiro crime ambiental.<\/p>\n<p>E como falamos sobre os grandes produtores rurais, a MP os auxilia, prorrogando o prazo para se adequarem \u00e0s medidas ambientais indispens\u00e1veis que regem a manuten\u00e7\u00e3o da Mata, especialmente no replantio de vegeta\u00e7\u00e3o nativa que foi desmatada.<\/p>\n<p>Em um momento em que os discuss\u00f5es para a volta dos programas internacionais de prote\u00e7\u00e3o ao Meio Ambiente, a aprova\u00e7\u00e3o da MP fragiliza os acordos e coloca novamente em xeque os compromissos firmados pelo Brasil de proteger seus biomas, como o Fundo Amaz\u00f4nico, os pactos assumidos em Davos sobre o desmatamento zero e o ajuste do pa\u00eds para diminuir as emiss\u00f5es de carbono. O imediatismo e a gan\u00e2ncia de alguns setores novamente est\u00e3o se sobrepondo aos interesses do pa\u00eds.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<pre>Enquanto alguns setores for\u00e7am o retrocesso em v\u00e1rias esferas, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas batem \u00e0s portas de na\u00e7\u00f5es ao redor do mundo, traduzidas nas mais diversas formas: inunda\u00e7\u00f5es, vendavais, degelo, seca, inc\u00eandios. Enquanto destruimos o que resta do nosso patrim\u00f4nio natural \u2013 lembrando que a Mata Atl\u00e2ntica abriga in\u00fameras nascentes de \u00e1gua pot\u00e1vel\u00a0 \u2013\u00a0 pa\u00edses como o Fran\u00e7a sofrem com uma seca hist\u00f3rica, a ponto de uma cidade na regi\u00e3o dos Pinineus (Corb\u00e8re-les-Cabanes) distribuir \u00e1gua mineral engarrafada aos moradores.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Por aqui, a seca em certas regi\u00f5es h\u00e1 d\u00e9cadas castiga moradores e pequenos agricultores que, sem a prerrogativa de receberem \u00e1gua mineral engarrafada, contentam-se em contemplar tristemente a terra rachada e seus po\u00e7os secos. Restam-lhes rezar e mostrar seu olhar para o Salvador.\r\n\r\n<strong>Refer\u00eancias<\/strong>\r\n\r\n\r\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2023\/05\/ibama-multa-em-r-57-milhoes-esquema-que-fraudava-origem-de-madeira-ilegal.shtml\r\n\r\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2023\/05\/de-novo-o-retrocesso-ambiental.shtml\r\n\r\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a> https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2023\/05\/seca-faz-franca-adotar-medidas-de-crise-e-cidade-distribui-agua-mineral-a-moradores.shtml?<\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>* Andreia Terzariol Couto \u00e9 jornalista e p\u00f3s-doutora pela ECA-USP.<\/em><\/strong><\/p>\n<h5><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As \u00faltimas semanas foram marcadas pela discuss\u00e3o sobre o PL das fake news, a aprova\u00e7\u00e3o da MP sobre a Mata Atl\u00e2ntica na C\u00e2mara dos Deputados e as consequ\u00eancias do aquecimento global na altera\u00e7\u00e3o do regime das chuvas na Fran\u00e7a A discuss\u00e3o sobre o PL das fake news inclui at\u00e9 editorial de jornal\u00f5es falando em \u201cliberdade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[274],"tags":[107],"class_list":["post-1900","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-urihi","tag-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1900"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1915,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1900\/revisions\/1915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}