{"id":2435,"date":"2024-03-10T09:52:04","date_gmt":"2024-03-10T12:52:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/?p=2435"},"modified":"2024-03-05T10:00:59","modified_gmt":"2024-03-05T13:00:59","slug":"agua-um-bem-comum-e-direito-de-todos-ou-mercadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/?p=2435","title":{"rendered":"\u00c1gua: um bem comum e direito de todos ou mercadoria?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2183 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-300x165.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-300x165.jpeg 300w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-1024x562.jpeg 1024w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-768x422.jpeg 768w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>O acesso \u00e0 agua pot\u00e1vel \u00e9 um direito inalien\u00e1vel; est\u00e1 no rol dos Direitos Humanos, \u00e9 um direito \u00e0 vida, um bem comum, e n\u00e3o uma mercadoria pass\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o para fins lucrativos \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o h\u00eddrica sempre foi uma pauta importante para o jornalismo ambiental, seja na agricultura, com a quest\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, o uso intensivo nas irriga\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, seja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disponibilidade de \u00e1gua pot\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o como um direito inalien\u00e1vel. Hoje coloca-se o direito ao acesso \u00e0 \u00e1gua no conjunto dos direitos humanos (Zorzi; Turatti; Mazzarino, 2016), declarado pela ONU em 2010 como <strong>um direito humano fundamental.<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>A recente onda de privatiza\u00e7\u00e3o do sistema de saneamento de \u00e1gua e esgoto pelo Brasil tem nos Estados de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais exemplos de como a agilidade para o processo tem acionado os pol\u00edticos da corrente neoliberal a resolver a assunto com uma certa urg\u00eancia: a privatiza\u00e7\u00e3o parece ser uma \u201cquest\u00e3o de honra\u201d dos governadores Tarc\u00edsio (Republicanos) e Zema (Novo). Apesar da pressa em agilizar a privatiza\u00e7\u00e3o, o debate sobre o tema desse bem comum deve envolver a sociedade civil de uma forma geral, a exemplo do que vai ocorrer em Minas Gerais, onde o assunto ser\u00e1 levado a plebiscito p\u00fablico.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade pode ser apresentada atrav\u00e9s de alguns exemplos nacionais e internacionais. Um modelo de uma situa\u00e7\u00e3o de flagrante abuso contra a popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua ocorreu na Bol\u00edvia, ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, e a organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, dos movimentos ind\u00edgenas e grupos sociais foi importante para reverter a privatiza\u00e7\u00e3o do sistema h\u00eddrico de Cochabamba, em 2000. Por\u00e9m engana-se quem pensa que somente os pa\u00edses da periferia do sistema capitalista s\u00e3o indiscriminadamente explorados por empresas transnacionais, que solapam seus subsolos \u00e0 cata de \u00e1gua e qualquer outro recurso com o aval de seus pr\u00f3prios governos e elites. Enquanto que pa\u00edses do Sul Global se tornam mais fragilizados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de seus recursos minerais, incluindo o h\u00eddrico, pa\u00edses como o Canad\u00e1 sofrem com problema semelhante: a explora\u00e7\u00e3o do subsolo por grandes corpora\u00e7\u00f5es afeta o acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade por grupos ind\u00edgenas, em um claro caso de \u201cacumula\u00e7\u00e3o por espolia\u00e7\u00e3o\u201d (HARVEY, 2004). No Canad\u00e1, a Organiza\u00e7\u00e3o <strong><em>Wellington Water Watchers<\/em><\/strong>, que h\u00e1 40 anos promove a\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel para popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, denuncia um grande conglomerado de empresas que coloca em risco as \u00e1guas de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos de algumas regi\u00f5es. Entre estas empresas encontra-se a brasileira Votorantim.<\/p>\n<p><strong><em>A privatiza\u00e7\u00e3o do sistema b\u00e1sico de saneamento, uma pauta da direita<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>\u00a0 Na cidade mais rica do pa\u00eds, 600 mil pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso ao esgoto e saneamento b\u00e1sico, segundo a Sabesp. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em>, em reportagem de 3 de dezembro de 2023. De acordo com o portal <em>G1.Globo<\/em> (20\/03\/2023), no \u201cBrasil, 100 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam rede de esgoto e falta \u00e1gua pot\u00e1vel para 35 milh\u00f5es\u201d. A privatiza\u00e7\u00e3o pode tornar ainda maior o abismo entre a popula\u00e7\u00e3o carente e o ingresso a esses direitos b\u00e1sicos, que devem ser ofertados e controlado pelo Estado, caso forem para a iniciativa privada. O controle das ag\u00eancias de \u00e1gua e esgoto pelo poder estatal pode significar, entre outras coisas, monitorar a qualidade de suas fun\u00e7\u00f5es, regulamentar a conduta de atendimento, analisar possibilidades de investimentos para a sua melhoria, al\u00e9m do caminho cada vez maior e melhor para a popula\u00e7\u00e3o e controle sobre o pre\u00e7o final do servi\u00e7o ao consumidor. Realizar o trajeto contr\u00e1rio \u00e9 ajoelhar-se aos interesses do capital. Infelizmente temos um poder p\u00fablico, no Estado de S\u00e3o Paulo, representado pela \u00a0Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo (Alesp) que mostrou na noite de 06\/12\/2023, para quem legisla e quais interesses defende. A privatiza\u00e7\u00e3o da Sabesp\u00a0 \u02d7 Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo \u02d7 uma empresa de economia mista, em que o Estado possui 50,3% das a\u00e7\u00f5es, vem passando rapidamente por um rito de privatiza\u00e7\u00e3o, e por esse caminho, ter\u00e1 o controle acion\u00e1rio menor, na contram\u00e3o do que ocorre em muitos lugares do mundo.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Por\u00e9m, somente em momentos de crise h\u00eddrica, em per\u00edodos longos de estiagem, a popula\u00e7\u00e3o se manifesta, \u00e9 chamada a opinar, assim como os pol\u00edticos do momento d\u00e3o declara\u00e7\u00f5es insatisfat\u00f3rias sobre o ocorrido. Normalmente o clima \u00e9 o grande vil\u00e3o, nunca a falta de planejamento, saneamento dos pontos nevr\u00e1lgicos da estrutura de saneamento b\u00e1sico, investimento em melhorias. E \u00e9 justamente nessa quest\u00e3o que os privatistas pegam para defender sua sanha para passar essas empresas p\u00fablicas na bacia das almas: que, uma vez privatizadas, ganhar\u00e3o investimentos importantes que, inclusive, ir\u00e3o baratear os servi\u00e7os para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O jornalismo ambiental, de uma forma geral, apega-se a estas quest\u00f5es tamb\u00e9m nos momentos de crise, entrevistando pol\u00edticos da gest\u00e3o na ocasi\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o reclamante de falta de \u00e1gua, cortes sistem\u00e1ticos dos servi\u00e7os em bairros perif\u00e9ricos (sempre!). Para o ge\u00f3grafo e professor universit\u00e1rio Paulo Celso Silva, \u201cas popula\u00e7\u00f5es mais distantes v\u00eam sempre a chegada da \u00e1gua como uma necessidade, e n\u00e3o como um privil\u00e9gio, por exemplo, de quem mora em um bairro de elite e reclama por uma ocasional falta d\u00b4\u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Falta um seguimento por parte dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, em especial os da \u00e1rea ambiental, para compreender todo o novelo que enreda a quest\u00e3o do saneamento b\u00e1sico e a qualidade dos servi\u00e7os que oferece. Qual a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o atendida pelos servi\u00e7os? O valor cobrado por eles \u00e9 acess\u00edvel a toda a popula\u00e7\u00e3o? Os bairros perif\u00e9ricos e a popula\u00e7\u00e3o mais fragilizada economicamente t\u00eam acesso aos servi\u00e7os? O que essas pessoas pensam que poderia ser feito, o que poderia melhorar? O que pensam sobre a qualidade do servi\u00e7o? E aqueles que n\u00e3o t\u00eam acesso ao saneamento b\u00e1sico de nenhuma forma, cujas vozes raramente s\u00e3o ouvidas? Seriam ainda mais penalizados em caso de privatiza\u00e7\u00e3o? Enfim, como se comporta a cobertura midi\u00e1tica envolvida nestas quest\u00f5es, especificamente?<\/p>\n<p>Portanto, a discuss\u00e3o sobre os investimentos na \u00e1rea de saneamento b\u00e1sico \u00e9 sempre usada como uma desculpa para os projetos de privatiza\u00e7\u00e3o: uma vez que o setor passa para m\u00e3os privadas, os investimentos ganhar\u00e3o vulto, a qualidade vai melhorar, os pre\u00e7os n\u00e3o v\u00e3o subir. No entanto, muito do que \u00e9 feito de investimentos no setor n\u00e3o \u00e9 abordado de forma direta, para Paulo Silva:<\/p>\n<p><em>\u201cOs investimentos feitos para tentar resolver a quest\u00e3o da \u00e1gua, poucos s\u00e3o tratados pela m\u00eddia. Estou falando dos grandes ve\u00edculos, televis\u00e3o principalmente, tev\u00ea aberta, que atinge uma popula\u00e7\u00e3o maior. N\u00e3o se pronunciar s\u00f3 em momentos de crise, mas tamb\u00e9m sobre os investimentos, olha, tem um investimento \u201cx\u201d para tentar resolver, mas n\u00e3o vai adiantar nada se a gente continuar tendo a mesmo postura, ent\u00e3o aproveitar n\u00e3o s\u00f3 o momento de crise. A m\u00eddia tem um papel importante mesmo na estrutura\u00e7\u00e3o da cidades. Num per\u00edodo de crise h\u00eddrica, pela m\u00eddia, temos a sensa\u00e7\u00e3o de que a cidade, aquele setor da cidade \u00e9 o problema, ent\u00e3o fica na cabe\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o que [em algum setor] est\u00e1 o problema. Se em determinado lugar falta \u00e1gua, l\u00e1 existe um problema\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Em Minas Gerais, o ataque sistem\u00e1tico \u00e0s empresas de saneamento b\u00e1sico tem o atual governador Zema como um de seus principais articuladores, cujas a\u00e7\u00f5es mais incisivas tiveram in\u00edcio mais especificamente em \u00a0setembro de 2023. A ofensiva se deu contra a COPASA (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), e a COPANOR (Servi\u00e7os de Saneamento Integrado do Norte e Nordeste de Minas Gerais S\/A). O processo encontra-se suspenso, por\u00e9m a necessidade de acionamento de medidas preventivas deu in\u00edcio \u00e0 iniciativa do \u201c<em>Plebiscito Popular em Defesa das Estatais de Minas Gerais<\/em>\u201d, para consultar a popula\u00e7\u00e3o de Minas Gerais sobre esse assunto de utilidade p\u00fablica. O plebiscito ter\u00e1 in\u00edcio em 19 de abril de 2024 e terminar\u00e1 em 1\u00ba de maio.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Apenas a t\u00edtulo de exemplo, citamos a cidade hist\u00f3rica de Ouro Preto como um dos casos da cilada privatista em Minas Gerais:<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p><em>\u201cAnteriormente \u00e0 concess\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o de Ouro Preto pagava uma taxa de \u00e1gua de aproximadamente R$ 27 por m\u00eas. Ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o, 10 m\u00b3 de \u00e1gua, para a tarifa residencial, passaram a corresponder a R$ 79,88: um reajuste perto de 200%. J\u00e1 o pre\u00e7o para apartamentos \u00e9 80% maior. Em m\u00e9dia, o consumo de \u00e1gua de uma fam\u00edlia ultrapassa o volume de 10m\u00b3, principalmente as que s\u00e3o compostas por mais de dois membros. Sem contar erros nas tarifas que excedem um aumento de 5.000%\u201d.<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o dados importantes como este que a popula\u00e7\u00e3o deve levar em conta ao decidir no plebiscito se concorda ou n\u00e3o com a privatiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas um caso, mas existem muitos outros em Minas Gerias que podem ilustrar o tamanho do problema.<\/p>\n<p><strong><em>Am\u00e9rica Latina &#8211; Bol\u00edvia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina tem sido palco de desastrosas pol\u00edticas de privatiza\u00e7\u00e3o ao longo de d\u00e9cadas, mesmo ap\u00f3s o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses latino-americanos. Se durante as ditaduras a corrup\u00e7\u00e3o grassava e as possibilidades de reclama\u00e7\u00e3o eram escassas, com o fim dos regimes ditatoriais tampouco a popula\u00e7\u00e3o passou a ser ouvida em suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A queda das ditaduras latino-americanas, a exemplo do que ocorreu em muitas partes do mundo, foi substitu\u00edda por governos da elite local, atrelados aos seus pr\u00f3prios interesses, \u00e0s conveni\u00eancias financeiras de conglomerados internacionais e \u00e0 sua f\u00faria por lucro. Em um per\u00edodo em que o Fundo Monet\u00e1rio Internacional ditava as regras de como e onde se deveria investir, a privatiza\u00e7\u00e3o dos sistemas b\u00e1sicos de infraestrutura, de bem-estar social e de setores estrat\u00e9gicos produtivos dos pa\u00edses foram alvos de olhares cobi\u00e7osos de empresas norte-americanas e europeias.<\/p>\n<p>O caso da Bol\u00edvia, especificamente de Cochabamba, \u00e9 emblem\u00e1tico, por todo o contexto de dificuldade de acesso \u00e0 \u00e1gua, principalmente para os camponeses, pelas solu\u00e7\u00f5es encontradas pelo governo p\u00f3s ditadura, pela privatiza\u00e7\u00e3o do sistema \u2013 que, al\u00e9m de dificultar o acesso \u00e0 \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o, ainda aumentou os pre\u00e7os das tarifas de forma astron\u00f4mica.<\/p>\n<p>Em 1985, ap\u00f3s cerca de 20 anos de ditadura, o ent\u00e3o governo boliviano Victor Paz Estenssor abra\u00e7ou o lema <em>menos Estado y m\u00e1s mercado <\/em>(PORTUGAL, 2007, p. 7, cit. por DRUMOND, 2015, p. 187), em um movimento que, embora comprovadamente desastroso, ainda ecoa no imagin\u00e1rio de muitos governantes, como o argentino Milei da atualidade.<\/p>\n<p>O projeto privatista de Estenssor teve como ponto de partida dentro do programa de ajustes estruturais \u201ca privatiza\u00e7\u00e3o da mais importante empresa estatal mineira boliviana, a Corpora\u00e7\u00e3o Mineira da Bol\u00edvia \u2013 COMIBOL\u201d (CARVALHO, 2008; SOUZA, 2009, apud DRUMOND, 2015, p. 188), em 1985.<\/p>\n<p>Hugo Banzer, candidato eleito em 1997 deu andamento \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da SEMAPA,<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> bem como promulgou uma lei que orientava o uso dos recursos h\u00eddricos bolivianos, dando o aval para a libera\u00e7\u00e3o de abertura para a licita\u00e7\u00e3o da venda da SEMAPA. Tr\u00eas empresas transnacionais e empres\u00e1rios bolivianos ligados ao governo participaram da licita\u00e7\u00e3o e se uniram para formar o <em>Consorcio Aguas del Tunari.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a> <\/em><\/p>\n<p>Ao longo de anos, o projeto afetou negativamente a popula\u00e7\u00e3o, impactando-a n\u00e3o apenas economicamente (com a privatiza\u00e7\u00e3o, houve demiss\u00f5es em massa dos mineiros), como as formas culturais de cultivo entre os camponeses, alterando o modo como as popula\u00e7\u00f5es rurais lidavam com seus recursos h\u00eddricos, que ent\u00e3o passaram a sofrer duramente com a falta de acesso \u00e0 \u00e1gua. Nos anos que se seguiram \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o, o governo seguinte de Gonzalo Sanchez de Lozada aprofundou o processo de desestatiza\u00e7\u00e3o e promulgou a <em>Ley de Capitalizaci\u00f3n, <\/em>criando as \u201c<em>empresas capitalizadas\u201d<\/em> e atraindo empresas estrangeiras.<\/p>\n<p>A capitaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e dos recursos naturais provocaram diferentes impactos sociais entre a popula\u00e7\u00e3o urbana e rural da Bol\u00edvia, al\u00e9m de causar danos profundos \u00e0s comunidades tradicionais ind\u00edgenas ao impingi-las a necessidade de se enquadrar \u00e0 nova sociedade global.<\/p>\n<p>Na esteira dos impactos negativos das privatiza\u00e7\u00f5es na Bol\u00edvia, que foram desde o aumento das desigualdades sociais e danos ambientais, um ponto importante foi a crescente mobiliza\u00e7\u00e3o das massas populares e dos grupos sociais, setores da sociedade civil, que se mobilizaram em torno do enfrentamento \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es e defesa dos seus direitos.<\/p>\n<p>Depois de muita mobiliza\u00e7\u00e3o e luta, os bolivianos conseguiram a revoga\u00e7\u00e3o dos contratos com as empresas envolvidas, que \u00e0 \u00e9poca exigiram uma indeniza\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria, que foi rejeitada pelo governo. Cochabamba foi um exemplo de organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o, que envolveu a todos em defesa do seu direito de acesso \u00e0 \u00e1gua, bem como o sucesso dessa a\u00e7\u00e3o coletiva que abarcou todos os interessados, culminando na reestatiza\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p><strong><em>Canad\u00e1<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 uma grande vergonha para o Canad\u00e1, [&#8230;]que popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em tantas comunidades ainda tenham o acesso a \u00e1gua limpa negado\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o <em>Wellington Water Watchers<\/em> come\u00e7ou suas atividades h\u00e1 alguns anos para fazer frente e denunciar as a\u00e7\u00f5es da Nestl\u00e9 em solo canadense, que se apropriava de nascentes de comunidades para a instala\u00e7\u00e3o de esta\u00e7\u00f5es de engarrafamento de \u00e1gua. Para o diretor da ONG, Mike Balkwill, engarrafar a \u00e1gua dos po\u00e7os da comunidade, vend\u00ea-las para outros mercados \u00e9 a forma de privatizar a \u00e1gua que n\u00e3o lhes pertence. \u201c\u00c9 uma grande vergonha para o Canad\u00e1, [&#8230;] que popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em tantas comunidades ainda tenham o acesso a \u00e1gua limpa negado\u201d.<\/p>\n<p>Balkwill, em uma entrevista ao portal Brasil de Fato,<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> evidenciou as a\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias de empresas privadas, apoiadas pelos governos provinciais e federal, denunciando o risco da explora\u00e7\u00e3o mineradora para os po\u00e7os, lagos e rios. Segundo ele, em muitas comunidades, a \u00e1gua chega pelo len\u00e7ol fre\u00e1tico, e n\u00e3o dos lagos, o que seria um s\u00e9rio risco ao acesso da popula\u00e7\u00e3o a uma \u00e1gua polu\u00edda pelas mineradoras. Para ele, o padr\u00e3o t\u00edpico de uma empresa capitalista \u00e9 o da redu\u00e7\u00e3o de custos, \u00a0e para isso promove o corte de gastos com direitos trabalhistas e prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Enquanto o Brasil enfrenta problemas ambientais com a explora\u00e7\u00e3o mineradora de empresas canadenses, o Canad\u00e1 passa pela mesma situa\u00e7\u00e3o em seu territ\u00f3rio com uma empresa brasileira: a Votorantim. Segundo Balkwill, a empresa brasileira pretende instalar uma pedreira em uma comunidade rural pr\u00f3xima a Toronto e a um de seus principais rios, o Credit River, cujas \u00e1guas geladas abrigam a esp\u00e9cie de truta chamada <em>brook trout<\/em>. A instala\u00e7\u00e3o da pedreira perto do rio poder\u00e1 causar um aquecimento nas suas \u00e1guas, comprometendo a vida e reprodu\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso: a extens\u00e3o do terreno para a instala\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da pedreira \u00e9 de pouco mais de tr\u00eas quil\u00f4metros quadrados e trinta metros de profundidade para al\u00e9m do len\u00e7ol fre\u00e1tico, o que significa uma cat\u00e1strofe h\u00eddrica, de acordo com Balkwill:<\/p>\n<p><em>\u201cQuando uma pedreira se estende at\u00e9 abaixo de um len\u00e7ol fre\u00e1tico ent\u00e3o ela se encher\u00e1, naturalmente, com \u00e1gua. Portanto, para poder continuar a explodir e a escavar, a \u00e1gua tem de ser continuamente bombeada para fora da pedreira. Essa \u00e1gua que ser\u00e1 bombeada sem interrup\u00e7\u00e3o pelos pr\u00f3ximos 50 ou 100 anos, ser\u00e1 retirada do solo e despejada no rio. Primeiramente, perde-se toda a \u00e1gua. Estar\u00e1 extraindo-se a \u00e1gua do subsolo, e leva muito tempo para rep\u00f4-la de volta ao aqu\u00edfero. Em segundo lugar, a \u00e1gua que foi transferida para o rio ter\u00e1 mais e mais materiais. Ent\u00e3o, ela aquecer\u00e1 o rio, [que matar\u00e1 seus peixes&#8230;]\u201d.<\/em><\/p>\n<p>E como o governo permite isso? Bem, ele \u00e9 parte do problema, uma vez que autoriza as concess\u00f5es de extra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a \u00faltima pedra, e o argumento \u00e9 velho conhecido: o do crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><strong><em>M\u00eddia e educa\u00e7\u00e3o ambiental<\/em><\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Paulo Silva,<\/p>\n<p><em>\u201cQuando pegamos a rela\u00e7\u00e3o \u00e1gua\/cidade e m\u00eddia, a gente v\u00ea que o trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental sobre o uso da \u00e1gua \u00e9 feito s\u00f3 em momento de crise, e nesses momentos, a m\u00eddia alerta, \u2018n\u00e3o desperdice, use balde, n\u00e3o mangueira, etal&#8230;\u2019. Acho que no geral h\u00e1 hoje tem uma consci\u00eancia maior da popula\u00e7\u00e3o. Porque como \u00e9 uma quest\u00e3o cultural e de educa\u00e7\u00e3o, vai custar uma gera\u00e7\u00e3o inteira para mudar, n\u00e3o \u00e9? No caso da gera\u00e7\u00e3o dos nossos pais, \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o at\u00e9 de desperd\u00edcio da \u00e1gua, sem problema, e hoje vejo a crian\u00e7ada com essa preocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma outra consci\u00eancia. Custa um pouco, [leva tempo] a mudan\u00e7a cultural.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o de mudan\u00e7a de mentalidade ser lenta e depender de uma educa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica voltada para a conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental, h\u00e1 ainda o imediatismo pol\u00edtico, pois, segundo Silva, os pol\u00edticos t\u00eam interesse em realizar a\u00e7\u00f5es que possam ser feitas em quatro anos, per\u00edodo de seus mandatos, enquanto que os investimentos na \u00e1rea ambiental levam tempo, s\u00e3o de m\u00e9dio a longo prazo, sem um retorno imediato para mostrar aos eleitores, \u201ce quando tratamos de preserva\u00e7\u00e3o, as coisas s\u00e3o no tempo da natureza, n\u00e3o no tempo pol\u00edtico, e isso custa caro. O desmatamento de uma \u00e1rea traz valor imobili\u00e1rio para aquela \u00e1rea, a \u00e1rea vale mais desmatada porque pode ser usada de outras formas\u201d. Na opini\u00e3o de Paulo Silva,<\/p>\n<p><em>\u201cTemos uma car\u00eancia, n\u00e3o de jornalistas cient\u00edficos, mas aqui &#8230; como a quest\u00e3o ambiental \u00e9 permanente, independente se o problema hoje \u00e9 a queimada, \u00e9 a falta de \u00e1gua, \u00e9 uma quest\u00e3o permanente, tinha que ser pauta sempre para o pessoal que trabalha na \u00e1rea [especializado], n\u00e3o para o jornalista que vai cobrir porque faltou um peda\u00e7o, para cobrir um buraco. Alguns jornalistas de emissora grande t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sempre se posicionando, alguns t\u00eam at\u00e9 programa, j\u00e1 est\u00e3o se fazendo reconhecer como pessoas que t\u00eam uma preocupa\u00e7\u00e3o ambiental. Mas pela gravidade da situa\u00e7\u00e3o, a cobertura deveria ser bem maior. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o, de maneira geral, deveriam ter uma preocupa\u00e7\u00e3o com esse tipo de pauta, ent\u00e3o ficam devendo. A quest\u00e3o ambiental tamb\u00e9m cria a pr\u00f3pria demanda, e como \u00e9 um investimento caro, de m\u00e9dio e longo prazo, seria essencial que os meios de comunica\u00e7\u00e3o mantivessem a cobran\u00e7a e tamb\u00e9m divulgar aquilo que est\u00e1 funcionando, os meios de comunica\u00e7\u00e3o ajudariam bastante se pautassem mais essa quest\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A busca desenfreada pela \u00e1gua de qualidade n\u00e3o \u00e9 somente por parte de pa\u00edses e povos que sofrem com a falta desse recurso: \u00e9 tamb\u00e9m, e talvez principalmente, pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, que buscam a qualquer custo lucrar com um direito humano essencial.<\/p>\n<p><strong><em>Sobre o entrevistado<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Paulo Celso Silva \u00e9 Licenciado em Geografia, mestre e doutor em Geografia pela USP, p\u00f3s doutor pela Uiversidade de Barcelona e pesquisa o tema Cidades. Participa do grupo Alec \u2013 Am\u00e9rica Latina e Caribe, agora tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o de M\u00e9xico e Canad\u00e1 \u2013 com sede em Limoges, na Fran\u00e7a. \u00c9 uma rede que fala sobre Territ\u00f3rios e Meio Ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>REFER\u00caNCIAS<\/em><\/strong><\/p>\n<p>DRUMOND, Nathalie. A guerra da \u00e1gua na Bol\u00edvia: a luta do movimento popular contra a privatiza\u00e7\u00e3o de um recurso natural. <strong>Revista NERA<\/strong>. Presidente Prudente, Ano 18, n\u00ba. 28 \u2013 Dossi\u00ea, pp 186-205, 2015. Acesso em 20\/02\/2024<\/p>\n<p>HARVEY<strong>, <\/strong>David. <strong>O novo imperialismo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2004.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.un.org\/waterforlifedecade\/pdf\/human_right_to_water_and_sanitation_media_brief_por.pdf\">https:\/\/www.un.org\/waterforlifedecade\/pdf\/human_right_to_water_and_sanitation_media_brief_por.pdf<\/a>. Acesso em 26\/02\/2024<\/p>\n<p>https:\/\/www.fnucut.org.br\/43817\/plebiscito-popular-o-povo-na-luta-pelos-servicos-publicos-em-minas-gerais\/26 de fevereiro de 2024. Acesso em 26\/02\/2024<\/p>\n<p>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40379053. Enquanto Rio privatiza, por que Paris, Berlim e outras 265 cidades reestatizaram saneamento?J\u00falia Dias Carneiro. Da BBC Brasil no Rio de Janeiro. 23 junho 2017. Acesso em 27\/02\/2024<\/p>\n<p>https:\/\/diplomatique.org.br\/ouro-preto-romeu-zema\/ Privatiza\u00e7\u00e3o Da \u00c1gua Em Minas Gerais. Renata Barbosa. 24 de novembro de 2023. Acesso em 27\/02\/2024<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/08\/27\/o-exemplo-do-canada-na-luta-pela-agua-como-um-direito-de-todos\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/08\/27\/o-exemplo-do-canada-na-luta-pela-agua-como-um-direito-de-todos<\/a> Acesso em 27\/02\/2024<\/p>\n<p>ZORZI, Lorenzo; TURATTI, Luciana; MAZZARINO, Jane M\u00e1rcia. O direito humano de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel: uma an\u00e1lise continental baseada nos F\u00f3runs Mundiais da \u00c1gua<\/p>\n<p><strong>Rev. Ambient. \u00c1gua<\/strong> vol. 11 n. 4 Taubat\u00e9 \u2013 Oct. \/ Dec. 2016. Acesso em 20\/02\/2024<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Em 28 de Julho de 2010 a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o A\/RES\/64\/292 declarou a \u00e1gua limpa e segura e o saneamento um direito humano essencial para gozar plenamente a vida e todos os outros direitos humanos. https:\/\/www.un.org\/waterforlifedecade<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40379053\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-40379053<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/www.fnucut.org.br\/43820\/em-minas-gerais-plebiscito-popular-vai-consultar-a-populacao-sobre-privatizacoes\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/diplomatique.org.br\/ouro-preto-romeu-zema<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Servicio Municipal de Agua Potable y Alcantarillado<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A International Water Limited \u2013 representante dos interesses da norte-americana Bechtel e da empresa italiana Edison SpA \u2013, a espanhola Abengoa e quatro investidores bolivianos (ligados a um dos partidos do governo). O processo de licita\u00e7\u00e3o, conforme ressalta Drumond (2015, p. 193), foi completamente irregular, tramitando em sigilo por exig\u00eancia do FMI.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/08\/27\/o-exemplo-do-canada-na-luta-pela-agua-como-um-direito-de-todos\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/08\/27\/o-exemplo-do-canada-na-luta-pela-agua-como-um-direito-de-todos<\/a>. Acesso 27\/02\/2024.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>* Andr\u00e9ia Terzariol Couto \u00e9 jornalista e p\u00f3s-doutora pela ECA-USP<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acesso \u00e0 agua pot\u00e1vel \u00e9 um direito inalien\u00e1vel; est\u00e1 no rol dos Direitos Humanos, \u00e9 um direito \u00e0 vida, um bem comum, e n\u00e3o uma mercadoria pass\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o para fins lucrativos \u00a0 &nbsp; A quest\u00e3o h\u00eddrica sempre foi uma pauta importante para o jornalismo ambiental, seja na agricultura, com a quest\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2183,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[361,222,107],"class_list":["post-2435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-causa-ambiental","tag-jornalismo-ambiental","tag-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2435"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2436,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2435\/revisions\/2436"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}