{"id":2603,"date":"2024-08-15T11:20:52","date_gmt":"2024-08-15T14:20:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/?p=2603"},"modified":"2024-08-15T11:24:22","modified_gmt":"2024-08-15T14:24:22","slug":"2603","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/?p=2603","title":{"rendered":"Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade no \u00e2mbito dos Direitos Humanos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2183 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-300x165.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-300x165.jpeg 300w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-1024x562.jpeg 1024w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-768x422.jpeg 768w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Como a apropria\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade brasileiro pelo grande capital tem repercuss\u00e3o diferente na grande m\u00eddia em compara\u00e7\u00e3o com as agress\u00f5es de \u00a0outros tipos de patrim\u00f4nios<\/em><\/p>\n<p>Muito se fala sobre os patrim\u00f4nios mundiais da humanidade, principalmente quando se trata de monumentos, cidades e s\u00edtios hist\u00f3ricos. No entanto, pouca visibilidade se d\u00e1, pela grande m\u00eddia, sobre os patrim\u00f4nios mundiais naturais (Conven\u00e7\u00e3o para prote\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Mundial, Cultural e Natural, de 1972),<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> nos quais se incluem alguns dos nossos principais biomas, como a floresta Amaz\u00f4nica e Pantanal, justamente os mais atacados pelo grande capital, que transforma primeiro em cinzas e depois pasto, essa incomensur\u00e1vel riqueza biol\u00f3gica. Seguimos inertes diante da barb\u00e1rie registrada por importantes fot\u00f3grafos, como Araqu\u00e9m Alc\u00e2ntara, que h\u00e1 alguns anos vem apresentando as imagens do inferno pantaneiro. Ainda mal nos recuperamos da devasta\u00e7\u00e3o do Pantanal durante a grande seca de 2021, quando a regi\u00e3o volta a ser v\u00edtima de grandes inc\u00eandios. \u00c9 triste e dolorido de ver, principalmente quando o horror \u00e9 mostrado sob as lentes de um artista como ele. Contamos ainda com das \u00e1reas protegidas no Cerrado,<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> como os Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e Emas.<\/p>\n<p>Recentemente o Parque Nacional dos Len\u00e7\u00f3is Maranhenses juntou-se \u00e0 lista do conjunto de biomas que recebeu t\u00edtulo de Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade, pela Unesco &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura. Fazem parte desse complexo de patrim\u00f4nios naturais da humanidade no Brasil, al\u00e9m dos citados acima, a Costa do Descobrimento (BA), Reservas da Mata Atl\u00e2ntica (ES\/PR\/SP); as Ilhas Fernando de Noronha (PE) e Atol das Rocas (RN) e o Parque Nacional do Igua\u00e7u (PR).<\/p>\n<p>A defesa do patrim\u00f4nio natural est\u00e1 inserida no \u00e2mbito dos direitos Humanos, que busca assegurar \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras o direito de usufruir desse conjunto \u00fanico de biomas que est\u00e1 prestes a desaparecer, caso a destrui\u00e7\u00e3o em curso siga o ritmo atual. Assim, tem-se redimensionado o Direito Interno e o Direito Internacional em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente.<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Bem, se esses biomas s\u00e3o patrim\u00f4nio da Humanidade, o que o Direito Internacional pode fazer para proteg\u00ea-lo? Em termos pr\u00e1ticos, nada. Nenhum governo externo pode interferir diretamente para barrar sua destrui\u00e7\u00e3o, nem mesmo transform\u00e1-lo em uso coletivo pelo simples fato de ser patrim\u00f4nio da humanidade:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cO sentido que esta express\u00e3o alcan\u00e7a \u00e9 o de partilhar a responsabilidade em proteg\u00ea-lo, por representar interesse comum. O instituto do patrim\u00f4nio mundial, no plano normativo, para esse ecossistema, na verdade, vem emprestar for\u00e7a \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Federal que o consagra como patrim\u00f4nio nacional, primando, assim, pela garantia do direito humano fundamental a um meio ambiente ecologicamente equilibrado\u201d. <\/em>(LIMA, 2006, p. 8)<\/p><\/blockquote>\n<p>Ou seja, a \u201csoberania nacional\u201d <a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a> prevalece mesmo n\u00e3o estando os bens naturais sob normas exclusivas do Estado nacional.<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> No entanto, a categoriza\u00e7\u00e3o de Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade faz com que se coloque em relevo a responsabilidade coletiva internacional para uma solu\u00e7\u00e3o conjunta, que se viabiliza atrav\u00e9s de uma coopera\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s, principalmente, de colabora\u00e7\u00f5es financeiras.<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> \u201cNesse sentido, qualquer refer\u00eancia a patrim\u00f4nio mundial feita sobre espa\u00e7o detentor de soberania territorial revela, irremediavelmente, o interesse comum da humanidade em ter a \u00e1rea protegida\u201d. Ressalta-se que, caso o Patrim\u00f4nio Mundial em quest\u00e3o deixe de atender aos requisitos para tal fim, as Diretrizes da Conven\u00e7\u00e3o prev\u00eaem a sua exclus\u00e3o do bem mundial de sua lista.<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a> Ou seja, caso o referido bem natural perca sua condi\u00e7\u00e3o de excepcionalidade junto \u00e0 humanidade, a coopera\u00e7\u00e3o internacional deixa de existir.<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a><\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cA prote\u00e7\u00e3o internacional, mesmo abrangendo parte do territ\u00f3rio brasileiro, n\u00e3o retira do Pa\u00eds a compet\u00eancia de proteg\u00ea-la. (&#8230;) apesar da prote\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica n\u00e3o se encontrar mais sob normas exclusivamente nacionais, o feixe de compet\u00eancia interna do Estado sobre o qual nenhum outro pode tomar para si nem substitu\u00ed-lo nesse mister, ainda prevalece e firma a soberania\u201d. (LIMA, 2006, p. 19)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O Estado brasileiro, mesmo diante dos compromissos internacionais, tem autonomia para decidir como vai direcionar suas a\u00e7\u00f5es. Por exemplo, o Brasil tem o compromisso internacional de diminuir as devasta\u00e7\u00f5es da Floresta Amaz\u00f4nica, por\u00e9m como faz\u00ea-lo \u00e9 uma decis\u00e3o interna, por\u00e9m, em caso de n\u00e3o cumprimento da meta ser\u00e1 responsabilizado internacionalmente.<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p><strong><em>Indigna\u00e7\u00e3o seletiva<\/em><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo, integrantes de uma ONG inglesa deram o que falar na imprensa mundial. \u00c0s v\u00e9speras do solst\u00edcio de ver\u00e3o, quando uma multid\u00e3o se re\u00fane junto ao conjunto de pedras de Stonehenge \u2013 um s\u00edtio arqueol\u00f3gico patrim\u00f4nio mundial \u2013 alguns ativistas atiraram tinta alaranjada no monumento. A t\u00edtulo de exemplo, colocamos aqui a \u00faltima a\u00e7\u00e3o do grupo <em>Just Stop Oil<\/em> e como a m\u00eddia brasileira e internacional utilizaram um leque sem\u00e2ntico pouco variado para se referirem ao ato.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata aqui, obviamente, de defender atos de vandalismo contra qualquer forma de arte e mesmo as consideradas como patrim\u00f4nios da humanidade. O que causa interesse nesse caso \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o das pessoas, desde a popula\u00e7\u00e3o em geral, pol\u00edticos, a m\u00eddia comercial, ao tratar do assunto. Gostar\u00edamos de ver a mesma rea\u00e7\u00e3o inflamada e indignada de todos ao presenciarem nosso patrim\u00f4nio natural n\u00e3o aspergido com p\u00f3 amarelo misturado com farinha, ou pasta de tomate, que podem ser removidos com \u00e1gua, mas destru\u00eddo com fogo, que n\u00e3o deixa nenhum tipo de vida atr\u00e1s de si.<\/p>\n<p>Enquanto assistimos cotidianamente a destrui\u00e7\u00e3o dos bens naturais, a imprensa corporativa trata o assunto como um dever a ser cumprido, ao passo que a\u00e7\u00f5es de ativistas ambientais s\u00e3o destaques no mundo todo, de forma espetacularizada.<\/p>\n<p>O <em>modus operandi<\/em> do <em>Just Stop Oil<\/em> \u00e9 sempre o mesmo: a\u00e7\u00f5es que chocam a opini\u00e3o p\u00fablica e chamam a aten\u00e7\u00e3o da imprensa, como as latas de molho de tomate jogadas no <em>quadro<\/em> da s\u00e9rie \u201cGirass\u00f3is\u201d, de Van Gogh, na National Gallery, em Londres \u2013 o molho atingiu o vidro protetor da tela, n\u00e3o causando nenhum dano ao quadro \u2013 ou o p\u00f3 amarelo lan\u00e7ado nas pedras do monumento de Stonehenge, na Inglaterra. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es que chocam, geram assunto na imprensa mundial, ou que causam algum tipo de transtorno no vida cotidiana das grandes cidades, como bloqueios de ruas e estradas. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica para o assunto, gerar mat\u00e9ria nas m\u00eddias, tentar angariar mais pessoas para a causa ambientalista. O pr\u00f3prio Green Peace, que completa 50 anos, utilizou em suas a\u00e7\u00f5es muitas situa\u00e7\u00f5es chamativas para atrair a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Just Stop Oil \u2013 o que \u00e9 e como opera para chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para o meio ambiente<\/p>\n<p>De acordo com o site https:\/\/juststopoil.org\/,<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cJust Stop Oil\u00a0\u00e9 um grupo de resist\u00eancia civil n\u00e3o violento no Reino Unido. Em 2022, come\u00e7amos a agir para exigir que o governo do Reino Unido pare de licenciar todos os novos projetos de petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o. N\u00f3s vencemos nisso.\u00a0A resist\u00eancia civil funciona. Nossa nova demanda:\u00a0que o governo do Reino Unido assine um Tratado de Combust\u00edveis F\u00f3sseis para Acabar com o Petr\u00f3leo at\u00e9 2030. Nossos governos devem\u00a0trabalhar juntos para estabelecer um tratado juridicamente vinculativo para interromper a extra\u00e7\u00e3o e a queima de petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o at\u00e9 2030, al\u00e9m de apoiar e financiar outros pa\u00edses para fazer uma transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, justa e equitativa\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>E como a grande imprensa reage \u00e0s a\u00e7\u00f5es dos ativistas?<\/p>\n<h4><strong>Quadro 1 \u2013 A\u00e7\u00f5es do JSO retratadas pela m\u00eddia nacional<\/strong><\/h4>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\" width=\"581\"><strong>Nacionais<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4>Ve\u00edculo<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>Data<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>Endere\u00e7o eletr\u00f4nico<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Chamada<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>CNN<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4 style=\"text-align: center;\">&#8212;<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ativistas clim\u00e1ticos JOGAM TINTA laranja no Stonehenge, na Inglaterra<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>\u00a0Metr\u00f3poles<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4 style=\"text-align: center;\">&#8212;<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ambientalistas JOGAM TINTA em Stonehenge em ato<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>Cruso\u00e9<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/crusoe.com.br\u00a0\u203a diario \u203a<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ambientalistas ATIRAM TINTA laranja sobre pedras de Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>UOL Not\u00edcias<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/noticias.uol.com.br\u00a0\u203a ultimas-noticias<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ambientalistas JOGAM TINTA em Stonehenge em ato na Inglaterra<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>DW<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/www.dw.com\u00a0\u203a pt-br \u203a<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ativistas do clima BORRIFAM TINTA laranja no Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>VEJA<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/veja.abril.com.br\u00a0\u203a mundo \u203a<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ativistas ambientais ATACAM Stonehenge COM TINTA laranja<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>Correio Braziliense<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\u00a0\u203a Mundo<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>ATIVISTAS DO MEIO AMBIENTE VANDALIZAM Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>Terra<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/www.terra.com.br\u00a0\u203a Planeta<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ativistas do meio ambiente vandalizam\u00a0Stonehenge COM TINTA LARANJA, na Inglaterra<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>Isto\u00c9<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/istoe.com.br\u00a0\u203a<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ativistas do clima BORRIFARAM COM TINTA LARANJA o\u00a0Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>GZH<\/em><\/h4>\n<h4><em>\u00a0<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\u00a0\u203a Ambiente<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>\u00a0Dois ecologistas s\u00e3o presos ap\u00f3s pichar o monumento Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"80\">\n<h4><em>O Globo<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"59\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"255\">\n<h4>https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/epoca\/noticia<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Grupo ambientalista vandaliza com TINTA LARANJA no s\u00edtio pr\u00e9-hist\u00f3rico de Stonehenge, na Inglaterra<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<pre>Quadro produzido pela autora; grifos da autora.<\/pre>\n<p>Como podemos observar no quadro acima, os t\u00edtulos das mat\u00e9rias de alguns ve\u00edculos de grande circula\u00e7\u00e3o nacional, via de regra, remetem a uma conota\u00e7\u00e3o negativa relacionada ao grupo ambientalista, bem como o conte\u00fado do texto, que n\u00e3o \u00e9 nossa inten\u00e7\u00e3o aqui analisar, ligando \u201cativistas\u201d (do meio ambiente e do clima), \u201cecologistas\u201d e \u201cambientalistas\u201d aos verbos \u201cjogar\u201d (tinta), \u201catirar\u201d (tinta), \u201catacar\u201d, \u201cvandalizar\u201d, \u201cpichar\u201d. Em dois casos h\u00e1 uma suaviza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o com o verbo \u201cborrifar\u201d, mais condizente com o que foi aspergido nas pedras de Stonehenge, uma \u201ctinta feita de farinha de milho laranja e desaparecer\u00e1 em breve com a chuva\u201d:<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]\u00a0<\/a><\/p>\n<p>\u201cAtivistas clim\u00e1ticos\u201d \u201cjogam tinta laranja\u201d no Stonehenge; \u201cAmbientalistas jogam tinta\u201d em Stonehenge; \u201cAmbientalistas atiram tinta\u201d laranja sobre pedras de Stonehenge; \u201cAmbientalistas jogam tinta\u201d em Stonehenge em ato na Inglaterra; \u201cAtivistas do clima borrifam tinta\u201d laranja no Stonehenge; \u201cAtivistas ambientais atacam\u201d Stonehenge com tinta laranja; \u201cAtivistas do meio ambiente vandalizam\u201d Stonehenge; \u201cAtivistas do meio ambiente vandalizam\u201d\u00a0Stonehenge\u00a0com tinta\u00a0laranja, na Inglaterra; \u201cAtivistas do clima borrifaram\u201d com tinta\u00a0laranja\u00a0o\u00a0Stonehenge; \u201cecologistas s\u00e3o presos ap\u00f3s pichar\u201d o monumento Stonehenge; grupo ambientalista vandaliza\u201d com tinta laranja s\u00edtio pr\u00e9-hist\u00f3rico de Stonehenge, na Inglaterra.<\/p>\n<p>E como reagiram os ve\u00edculos internacionais ao fato? O quadro abaixo mostra como alguns jornais trataram do tema:<\/p>\n<p>O jornal franc\u00eas <em>Le Monde<\/em> coloca que \u201cdois ecologistas foram presos\u201d, dando prefer\u00eancia a uma situa\u00e7\u00e3o negativa para \u201cecologistas\u201d, mas suaviza na utiliza\u00e7\u00e3o do verbo, \u201caspergir\u201d, considerando que os sin\u00f4nimos para esse verbo s\u00e3o borrifar, respingar, salpicar, aguar, e podemos ler nas entrelinhas que o dano \u00e0s pedras pode sair com certa facilidade. O tamb\u00e9m franc\u00eas <em>Lib\u00e9ration<\/em> igualmente coloca no t\u00edtulo que \u201cdois ativistas foram presos por aspergir\u201d de tinta as pedras de Stonehenge. A rede de informa\u00e7\u00e3o <em>Euronews <\/em>estabelece uma liga\u00e7\u00e3o negativa entre \u201cmilitantes ecologistas\u201d que \u201cdegradam\u201d o s\u00edtio arqueol\u00f3gico. O ingl\u00eas <em>The Guardian<\/em> coloca no t\u00edtulo que \u201cduas pessoas foram presas\u201d (n\u00e3o apontando se ativistas, ambientalista ou ecologistas) por pulverizar tinta em p\u00f3 laranja, atenuando o sentido do ato pelo verbo \u201cpulverizar\u201d e por dizer que se trata de tinta em p\u00f3, o que foi pouco ou n\u00e3o colocado nos t\u00edtulos dos v\u00e1rios ve\u00edculos analisados. O jornal irland\u00eas <em>The Irish Times<\/em> escreve em seu t\u00edtulo que Stonehenge foi \u201cpulverizado\u201d com tinta laranja, de uma forma mais gen\u00e9rica. O jornal <em>Los Angeles Times<\/em> foi enf\u00e1tico ao colocar em seu t\u00edtulo que manifestantes clim\u00e1ticos \u201cvandalizam\u201d Stonehenge. O di\u00e1rio espanhol <em>El Pa\u00eds<\/em> apresenta que \u201cdois ecologistas foram detidos ap\u00f3s pintar com tinta laranja o monumento de Stonehenge\u201d, colocando j\u00e1 no t\u00edtulo se tratar de ecologistas os que fizeram a interven\u00e7\u00e3o no monumento hist\u00f3rico. Para a BBC, o t\u00edtulo \u00e9 mais condescendente com o epis\u00f3dio, colocando que os \u201cativistas pulverizaram tinta em p\u00f3 em partes de Stonehenge\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, de uma forma geral, o hist\u00f3rico negativo que cercou os ativistas, ecologistas, ambientalistas desde o in\u00edcio das a\u00e7\u00f5es postas em pr\u00e1tica pelo <em>Greenpeace<\/em>, h\u00e1 cinq\u00fcenta anos, parece continuar para muitos da imprensa. Defender o meio ambiente, independentemente das t\u00e1ticas utilizadas, parece ter sido sempre cercada por uma \u201caura maldita\u201d.<\/p>\n<p><strong>Quadro 2 \u2013 A\u00e7\u00f5es do JSO retratadas pela m\u00eddia internacional<\/strong><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"4\" width=\"581\">\n<h4><strong>Internacionais<\/strong><\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><strong>Ve\u00edculo<\/strong><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4><strong>Data<\/strong><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4><strong>Endere\u00e7o eletr\u00f4nico<\/strong><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4><strong>Chamada<\/strong><\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>Le Monde<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/www.lemonde.fr\u00a0\u203a article<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Au Royaume-Uni, deux <strong>\u00e9cologistes<\/strong> arr\u00eat\u00e9s apr\u00e8s <strong>avoir asperg\u00e9<\/strong> de peinture les monolithes du Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>Lib\u00e9ration<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/www.liberation.fr\u00a0\u203a<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4><strong>Deux activistes<\/strong> de l&#8217;organisation Just Stop Oil ont \u00e9t\u00e9 arr\u00eat\u00e9s ce mercredi\u00a019 juin\u00a0pour <strong>avoir asperg\u00e9 <\/strong>de la peinture sur les monolithes du\u00a0&#8230;<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>Euronews.com<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/fr.euronews.com\u00a0\u203a<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Royaume-Uni: des militants \u00e9cologistes d\u00e9gradent le site de Stonehenge<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>The Guardian<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/www.theguardian.com\u00a0\u203a<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Two people have been arrested after Just Stop Oil activists <strong>sprayed orange powder paint<\/strong> over\u00a0Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>The Irish Times<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/www.irishtimes.com\u00a0\u203a world<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Stonehenge <strong>sprayed<\/strong> <strong>with orange paint<\/strong> by Just Stop Oil<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>Los Angeles Times<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/www.latimes.com\u00a0\u203a story<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4><strong>Climate protesters vandalize<\/strong> Stonehenge<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>El Pa\u00eds<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/elpais.com\u00a0\u203a<\/h4>\n<h4><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Dos <strong>ecologistas detenidos tras rociar con pintura naranja<\/strong> el monumento de\u00a0<strong>Stonehenge<\/strong><\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"129\">\n<h4><em>BBC<\/em><\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"67\">\n<h4>19\/6\/24<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"198\">\n<h4>https:\/\/www.bbc.com\/news\/uk<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"187\">\n<h4>Ativistas do Just Stop Oil <strong>pulverizaram tinta em p\u00f3 laranja<\/strong> em partes de Stonehenge.<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<pre>Quadro produzido pela autora; grifos da autora.<\/pre>\n<p><strong>Concluindo<\/strong><\/p>\n<p>Quisemos aqui salientar que:<\/p>\n<p>1 \u2013 Os biomas brasileiros, mesmo considerados patrim\u00f4nios naturais da humanidade, continuam sendo atacados cotidianamente pelos interesses do lucro a qualquer custo, e que mesmo sendo al\u00e7ados ao status de bem da humanidade, essa, de um modo geral, n\u00e3o pode estabelecer nenhum tipo de defesa desse patrim\u00f4nio, uma vez que, segundo o Direito Internacional, esse t\u00edtulo est\u00e1 sob a guarda do Estado ao qual pertence, ou seja, prevalece sempre o status da soberania nacional para as tomadas de decis\u00e3o sobre o patrim\u00f4nio;<\/p>\n<p>2 \u2013 \u00a0A grande imprensa n\u00e3o traz a p\u00fablico de forma incisiva a destrui\u00e7\u00e3o em curso no Brasil do nosso patrim\u00f4nio natural e o que ela representa na atualidade \u2013 um ataque por um grupo de pessoas a um bem que \u00e9 de todos, alijando inclusive as futuras gera\u00e7\u00f5es de desfrutarem da forma que for, desses biomas, em sua integridade;<\/p>\n<p>3 \u2013 Apenas vemos de forma mais contundente as chamas da destrui\u00e7\u00e3o sob as lentes e os textos alternativos, onde o horror do fogo \u00e9 mostrado em toda a sua brutalidade;<\/p>\n<p>4 \u2013 Essa forma de reportar ou n\u00e3o reportar sobre um patrim\u00f4nio natural que se derrete a olhos vistos mostra a quem serve a grande imprensa;<\/p>\n<p>5 \u2013 Por sua vez, o jornalismo ambiental n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar nas bases a dimens\u00e3o do que significa toda essa destrui\u00e7\u00e3o para conseguir mobilizar o p\u00fablico e v\u00ea-lo perceber como est\u00e1 sendo lesado;<\/p>\n<p>6 \u2013 A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, trazemos o exemplo de uma a\u00e7\u00e3o realizada por ativistas de uma organiza\u00e7\u00e3o ambientalista sobre um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico \u2013 os mon\u00f3litos de Stonehenge, na Inglaterra, que chamou a aten\u00e7\u00e3o de grande parte da imprensa nacional e internacional e causou uma rea\u00e7\u00e3o negativa por parte dela, mesmo sabendo que a tinta jogada nas pedras sai com \u00e1gua. O ato foi considerado como vandalismo.<\/p>\n<p>7 \u2013 Ao fazermos uma busca por alguns ve\u00edculos da grande imprensa nacionais e internacionais sobre o fato, observamos a escolha sem\u00e2ntica utilizada por cada um deles, e na sua maioria, foi percebida uma conota\u00e7\u00e3o negativa ligada ao ato;<\/p>\n<p>8 \u2013 N\u00e3o estamos aqui defendendo, de forma alguma, todo e qualquer ato que possa prejudicar ou avariar monumentos, s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, pe\u00e7as de museu ou o patrim\u00f4nio cultural de qualquer esp\u00e9cie. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 salientar que h\u00e1 uma indigna\u00e7\u00e3o seletiva sobre o ato de vandalizar um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, que causa uma rea\u00e7\u00e3o na m\u00eddia, que por sua vez, reflete na opini\u00e3o p\u00fablica sobre a quest\u00e3o, que n\u00e3o guarda similaridade com a destrui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio natural. E que gostar\u00edamos de ver essa mesma rea\u00e7\u00e3o e de dar nome aos culpados pela depreda\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio absurdamente rico que arde a cada dia sem alcan\u00e7ar a merecida voz na imprensa ou no grande p\u00fablico;<\/p>\n<p>9 \u2013 Uma na\u00e7\u00e3o que abriga uma enormidade, em termos territoriais e de diversidade, de patrim\u00f4nios Naturais da Humanidade, deveria engajar-se de forma profunda na sua prote\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m dos compromissos firmados internacionalmente, mas mais intensamente com a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, verdadeira titular dessa riqueza;<\/p>\n<p>10 \u2013 Por fim, almejamos poder verificar cada vez mais o comprometimento do jornalismo ambiental pela defesa desse patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p><strong>* ANDREIA TERZARIOL COUTO \u00c9 JORNALISTA, PROFESSORA, PESQUISADORA E P\u00d3S-DOUTORA PELA ECA-USP<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a>Notas<\/strong><\/p>\n<p>[1] \u201cA Conven\u00e7\u00e3o para prote\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Mundial, Cultural e Natural, com natureza de tratado multilateral, foi aprovada na 17<sup>a<\/sup>\u00a0Confer\u00eancia-Geral da Unesco, no ano de 1972, tendo o Brasil se tornado signat\u00e1rio por meio do Decreto n\u00ba. 80.978 de 12.12.1977. Esse instrumento representa, como disp\u00f5e seu art. 7\u00ba. \u2018um sistema de coopera\u00e7\u00e3o e de assist\u00eancia internacional destinado a auxiliar os Estados-parte da Conven\u00e7\u00e3o nos esfor\u00e7os empreendidos para preservar e identificar o referido patrim\u00f4nio\u2019. Volta-se para impedir o progressivo empobrecimento irrevers\u00edvel que os povos sofrem, pela extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies animais e vegetais por meio da destrui\u00e7\u00e3o de bens naturais, que por serem \u00fanicos e insubstitu\u00edveis, s\u00e3o detentores de um valor universal excepcional\u201d. LIMA, 2006, p. 4.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> \u201cA PEC 504\/2010 trata da inclus\u00e3o do Cerrado e Caatinga no artigo 225, par\u00e1grafo 4\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, que reconhece a Floresta Amaz\u00f4nica, a Mata Atl\u00e2ntica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira como patrim\u00f4nio nacional. A reda\u00e7\u00e3o desse artigo assegura que a utiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos recursos naturais das regi\u00f5es ecol\u00f3gicas reconhecidas como patrim\u00f4nio nacional se realize na forma da lei, dentro das condi\u00e7\u00f5es que assegurem a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>O Cerrado e a Caatinga, apesar de n\u00e3o contemplados no texto constitucional, s\u00e3o regi\u00f5es estrat\u00e9gicas para o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e a biodiversidade do planeta. Juntos, incluindo suas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o, ocupam aproximadamente 45% do territ\u00f3rio brasileiro. Formam com a Amaz\u00f4nia, a Mata Atl\u00e2ntica, o Pantanal e os Pampas, as seis regi\u00f5es ecol\u00f3gicas que comp\u00f5em o meio f\u00edsico do Brasil. A aus\u00eancia de ambos no par\u00e1grafo 4\u00ba do art. 225 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u00e9 uma omiss\u00e3o grave, segundo reiterados posicionamentos de movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais, organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, especialistas e institui\u00e7\u00f5es das mais diversas \u00e1reas do conhecimento\u201d.<\/p>\n<p>https:\/\/www.campanhacerrado.org.br\/noticias\/434-um-ano-tpp-pec-504 10\/07\/2023.<\/p>\n<p>Segundo o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) a \u201cProposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que transforma o Cerrado e a Caatinga em patrim\u00f4nios nacionais como priorit\u00e1ria para promover a preserva\u00e7\u00e3o dos biomas. A PEC 504\/10 j\u00e1 tramita h\u00e1 mais de dez anos no Congresso Nacional. Foi aprovada em 2010 no Senado e est\u00e1 pronta para ser inclu\u00edda na pauta do Plen\u00e1rio da C\u00e2mara. Ele destacou que o Cerrado est\u00e1 sendo profundamente devastado e hoje \u00e9 o bioma mais amea\u00e7ado pela expans\u00e3o da pastagem e da agricultura. Conforme ele, trata-se da savana com maior biodiversidade do planeta, mas isso est\u00e1 sendo perdido rapidamente. \u201cJ\u00e1 temos no cerrado 61 milh\u00f5es de hectares de pastagens e 26 milh\u00f5es de hectares de agricultura\u201d.<\/p>\n<p>https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/691576-pec-que-reconhece-cerrado-como-patrimonio-nacional-e-uma-das-prioridades-da-frente-ambientalista\/10\/09\/2020<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> LIMA, op. cit., p. 1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> \u201cA men\u00e7\u00e3o feita aqui \u00e0 <em>soberania <\/em>refere-se ao poder origin\u00e1rio do Estado, que sob o significado jur\u00eddico, vem a representar a supremacia que este det\u00e9m em seu territ\u00f3rio para exercer suas fun\u00e7\u00f5es de forma exclusiva e plena, livre de qualquer inger\u00eancia. [&#8230;] A soberania, mesmo sob a escolta do Direito, tem uma dimens\u00e3o pol\u00edtica da qual as rela\u00e7\u00f5es externas n\u00e3o podem prescindir, j\u00e1 que s\u00e3o determinantes inclusive, para a seguran\u00e7a\u201d. LIMA, op. cit., p. 8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> \u201c<em>Patrim\u00f4nio mundial- <\/em>esp\u00e9cie do g\u00eanero patrim\u00f4nio comum da humanidade, categoria afeta \u00e0 Floresta Amaz\u00f4nica, d\u00e1-se sob um regime jur\u00eddico diferenciado pelo qual n\u00e3o \u00e9 permitido o livre acesso aos Estados, nem explora\u00e7\u00e3o conjugada de seus recursos naturais, muito mais a gest\u00e3o da \u00e1rea por qualquer outro ente que n\u00e3o aquele que det\u00e9m a propriedade do territ\u00f3rio. Nesse sentido, a Floresta Amaz\u00f4nica como bem ambiental, e aqui se comunga com o posicionamento de Jos\u00e9 Afonso da Silva, \u00e9 de interesse difuso, ao lado do bem p\u00fablico e do bem privado, mesmo sob aferi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito internacional. Com isso, coloca-se ao lado dos bens sobre os quais o Estado brasileiro exerce seu poder de regula\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o da soberania territorial que esse det\u00e9m, ainda que de interesse comum \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p>O sentido para a no\u00e7\u00e3o de <em>patrim\u00f4nio mundial <\/em>ou <em>patrim\u00f4nio comum <\/em>\u00e9 o de compor um <em>bem de interesse comum <\/em>e <em>n\u00e3o de propriedade comum.\u201d<\/em> LIMA, op. cit., p. 6.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> LIMA, op. cit., p. 3.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> LIMA, op. cit., p. 3.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> LIMA op. cit., p. 9.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> LIMA op. cit., p. 19.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> https:\/\/veja.abril.com.br\/mundo\/ativistas-ambientais-atacam-stonehenge-com-tinta-laranja<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>LIMA, Silvana Nobre de. \u00a0A natureza jur\u00eddica da floresta amaz\u00f4nica frente aos direitos humanos. <strong>Anais<\/strong> do XV Congresso Nacional do CONPEDI\/UEA &#8211; Manaus: 15, 16, 17, e 18 de Novembro de 2006. \u00daltimo acesso 12\/08\/2024<\/p>\n<p>https:\/\/www.campanhacerrado.org.br\/noticias\/434-um-ano-tpp-pec-504.\u00a0 \u00daltimo acesso 25\/06\/2024<\/p>\n<p>https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/691576-pec-que-reconhece-cerrado-como-patrimonio-nacional-e-uma-das-prioridades-da-frente-ambientalista\/10\/09\/2020<\/p>\n<p>https:\/\/juststopoil.org. \u00daltimo acesso 25\/06\/2024<\/p>\n<p>https:\/\/veja.abril.com.br\/mundo\/ativistas-ambientais-atacam-stonehenge-com-tinta-laranja. \u00daltimo acesso 25\/06\/2024<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a apropria\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade brasileiro pelo grande capital tem repercuss\u00e3o diferente na grande m\u00eddia em compara\u00e7\u00e3o com as agress\u00f5es de \u00a0outros tipos de patrim\u00f4nios Muito se fala sobre os patrim\u00f4nios mundiais da humanidade, principalmente quando se trata de monumentos, cidades e s\u00edtios hist\u00f3ricos. 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