{"id":2848,"date":"2025-03-14T11:38:13","date_gmt":"2025-03-14T14:38:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/?p=2848"},"modified":"2025-03-14T11:40:17","modified_gmt":"2025-03-14T14:40:17","slug":"calor-extremo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/?p=2848","title":{"rendered":"Calor Extremo"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2183 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-300x165.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-300x165.jpeg 300w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-1024x562.jpeg 1024w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511-768x422.jpeg 768w, https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/WhatsApp-Image-2023-10-17-at-16.32.511.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><i>Com o aumento do aquecimento global gerando ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas, o conforto t\u00e9rmico tamb\u00e9m se mostra excludente.<\/i><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong><i>A vida nas metr\u00f3poles com as ondas de calor<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial do mundo contempor\u00e2neo vive nas cidades, e nesse contexto, uma consider\u00e1vel parcela em metr\u00f3poles com mais de um milh\u00e3o de habitantes. A conviv\u00eancia nesse espa\u00e7o urbano \u00e9 cercada de desafios, especialmente para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, que v\u00e3o desde os direitos b\u00e1sicos como redes de esgoto, \u00e1gua encanada, eletricidade, acesso a moradia, passando pelo transporte p\u00fablico, educa\u00e7\u00e3o, \u00e1reas de lazer, ilumina\u00e7\u00e3o urbana adequada, arboriza\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a. Se a popula\u00e7\u00e3o das megal\u00f3poles enfrenta desafios cotidianos para o seu deslocamento, moradias acess\u00edveis e adequadas, escolas p\u00fablicas de qualidade, na atualidade surge outro grande inc\u00f4modo compat\u00edvel com o tamanho dessas cidades: o desconforto t\u00e9rmico proveniente das ondas de calor gerado pelo aquecimento global. O problema \u00e9 especialmente mais intenso em pa\u00edses emergentes, localizados no Sul global e com clima tropical. \u00c9 nesse sentido que a exclus\u00e3o se mostra presente nessas megal\u00f3poles. De um lado observamos aqueles que enfrentam as crescentes e cada vez mais cont\u00ednuas ondas de calor onde o deslocamento, as habita\u00e7\u00f5es e os locais de trabalho s\u00e3o providos de temperatura controlada, seja por ar condicionado, ou por estarem em espa\u00e7os verdes, cercados por parques e jardins ou constru\u00e7\u00f5es adaptadas arquitetonicamente para enfrentar o calor intenso. De outro est\u00e3o os que vivem em condi\u00e7\u00f5es de calor extremo em ambientes hostis, em constru\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, com p\u00e9 direito baixo, com tetos de zinco e\/ou amianto, em regi\u00f5es sem qualquer tipo de saneamento b\u00e1sico e sem eletricidade, sem distanciamento com vizinhan\u00e7a, sem \u00e1reas verdes ao redor. O desconforto t\u00e9rmico \u00e9 bem diferente nessas duas situa\u00e7\u00f5es. As habita\u00e7\u00f5es populares, constru\u00eddas pelo Estado atrav\u00e9s das Pol\u00edticas Nacionais de Habita\u00e7\u00e3o para as popula\u00e7\u00f5es carentes, tampouco asseguram um conforto t\u00e9rmico interior, seja pelo tamanho ou pela estrutura e materiais.<\/p>\n<p>Nas metr\u00f3poles, h\u00e1 os que podem buscar ref\u00fagio no ar condicionado, tanto em casa, no trabalho e nos ve\u00edculos particulares, ou no lazer, em \u00e1reas igualmente refrigeradas, como shoppings, clubes de campo, com \u00e1reas verdes, piscinas e bares e restaurantes climatizados.<\/p>\n<p>Para os que trabalham e residem nestas condi\u00e7\u00f5es, o trajeto de casa para o trabalho pode nem sequer ser afetado pelo calor: basta descer do apartamento para a garagem, entrar no carro com ar condicionado e seguir direto para o estacionamento do trabalho, entrar no elevador e seguir para o escrit\u00f3rio com temperatura agrad\u00e1vel. Ainda assim, mesmo essa parcela privilegiada, que vive, trabalha e se diverte sob o ar refrigerado, \u00e9 uma minoria; ainda h\u00e1 os que, mesmo com poder aquisitivo que lhes permite viver sob maior conforto t\u00e9rmico, sofrem com os efeitos do calor.<\/p>\n<p>Nesse sentido, dizemos que h\u00e1 realidades distintas em grandes cidades para pelo menos dois tipos de popula\u00e7\u00e3o: aquela que pode pagar pelo conforto t\u00e9rmico, seja em casa, no transporte ou no trabalho, e a outra, que \u00e9 aquela que sofre diretamente os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, especialmente as que estamos vivenciando no Brasil: ondas de calor cada vez mais intensas e cada vez mais pr\u00f3ximas das outras. Os desafios clim\u00e1ticos presentes nas metr\u00f3poles s\u00e3o conhecidos, por\u00e9m deve ser mencionado que h\u00e1 uma diferen\u00e7a muito grande para aqueles que vivem entre esses dois blocos distintos e como sentem e reagem aos rigores da temperatura elevada.<\/p>\n<p><strong><i>Conforto t\u00e9rmico<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Segundo Laborat\u00f3rio de Efici\u00eancia Energ\u00e9tica em Edifica\u00e7\u00f5es da Universidade Federal de Santa Catarina, o conceito de conforto t\u00e9rmico est\u00e1 relacionado \u00e0 \u201ccondi\u00e7\u00e3o global de uma pessoa na qual ela n\u00e3o prefira sentir nem mais calor, nem menos frio\u201d, significando uma sensa\u00e7\u00e3o total \u201cde bem-estar f\u00edsico e mental que expressa satisfa\u00e7\u00e3o com o ambiente t\u00e9rmico ao seu redor\u201d. Transformar as grandes cidades, constru\u00eddas em concreto e asfalto, envoltas em polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e com poucas \u00e1reas verdes, em espa\u00e7os visual, t\u00e9rmica e atmosfericamente agrad\u00e1veis \u00e9 um grande desafio que se imp\u00f5e aos gestores e planejadores urbanos. O conforto t\u00e9rmico est\u00e1 em ambientes fechados, que pode ser controlado, mas tamb\u00e9m em ambientes externos. \u00c9 nesse sentido que o planejamento urbano adequado \u00e0s necessidades clim\u00e1ticas atuais pode atuar de forma a transformar os espa\u00e7os abertos em \u00e1reas termicamente frescas e agrad\u00e1veis. Rossi, Kr\u00f6ger e Br\u00f6der, autores da pesquisa sobre conforto e desconforto t\u00e9rmico em espa\u00e7os abertos, afirmam que estes est\u00e3o ligados ao planejamento urbano e que \u201cindependentemente de seu uso, a avalia\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o do conforto t\u00e9rmico nesses espa\u00e7os podem auxiliar a melhoria da qualidade urbana, influenciando positivamente o uso e o comportamento das pessoas\u201d.<\/p>\n<p><strong><i>A configura\u00e7\u00e3o espacial das grandes cidades<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Com algumas varia\u00e7\u00f5es, as metr\u00f3poles s\u00e3o configuradas por elevado \u00edndice populacional, alta densidade demogr\u00e1fica, predominante verticaliza\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fego intenso, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, territ\u00f3rio tomado por betume, rios canalizados ou transformados em \u00e1reas de despejo de esgoto ou res\u00edduos industriais. Em geral, a arboriza\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria, parques e \u00e1reas de lazer verdes n\u00e3o s\u00e3o suficientemente adequados para proporcionar conforto t\u00e9rmico e grandes edifica\u00e7\u00f5es de concreto absorvem o calor durante o dia transformando o espa\u00e7o urbano em ilhas de calor. A falta de planejamento urbano, a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada, a aus\u00eancia de arboriza\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria adequada e de \u00e1reas verdes transformam alguns espa\u00e7os das metr\u00f3poles, especialmente os perif\u00e9ricos, em verdadeiras estufas, enquanto que os lugares densamente constru\u00eddos, verticalizados e asfaltados consolidam-se como grandes ilhas de calor.<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o, tanto de autom\u00f3veis como industrial cria uma bolha que envolve as cidades, gerando calor e tornando o ar quente e seco. As altas edifica\u00e7\u00f5es de concreto com janelas de vidro, transformam o ambiente interno em locais plugados no ar condicionado todo o tempo, gerando grande gasto de energia.<\/p>\n<p>As cidades foram constru\u00eddas a partir de espa\u00e7os segmentados, com bairros planejados e estruturados por construtoras privadas para a comodidade e seguran\u00e7a de habitantes de alto poder aquisitivo. Nesses bairros, h\u00e1 o fomento de um com\u00e9rcio local bem suprido de supermercados, restaurantes, farm\u00e1cias, hospitais, e de uma rede comercial extensa, possibilitando aos moradores um deslocamento a p\u00e9 ou de bicicleta por ruas e alamedas arborizadas. No outro extremo, a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda foi sendo empurrada para periferias sem qualquer tipo de planejamento, sem vias adequadas de circula\u00e7\u00e3o e com transporte prec\u00e1rio. O amontoamento de moradias improvisadas, praticamente sem separa\u00e7\u00e3o umas das outras, impedem a circula\u00e7\u00e3o de ar e aumentam a sensa\u00e7\u00e3o de calor e desconforto t\u00e9rmico, al\u00e9m do material inadequado de constru\u00e7\u00e3o. S\u00e3o imensos espa\u00e7os sem quintais, sem \u00e1reas verdes, sem arboriza\u00e7\u00e3o nas vias p\u00fablicas que possam gerar sombreamento e diminui\u00e7\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de calor. Soma-se a isso a alta densidade populacional nesses n\u00facleos de habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os autores L\u00f6w e Nader (2019) analisam o comportamento t\u00e9rmico em uma das primeiras comunidades da cidade de S\u00e3o Paulo, a de Vila Prudente, e confirmam a necessidade de se pensar no todo, na \u00e1rea interna e tamb\u00e9m externa \u00e0 moradia, al\u00e9m das formas de se otimizar o conforto t\u00e9rmico em rela\u00e7\u00e3o ao habitante.<\/p>\n<p><i>\u00a0<strong>Ch\u00e3o de estrelas<\/strong><\/i><\/p>\n<p>Orestes Barbosa e Silvio Caldas h\u00e1 d\u00e9cadas descreveram de forma bastante rom\u00e2ntica a vida em um barrac\u00e3o na periferia, de como \u201c<i>a lua furando o nosso zinco salpicava de estrelas o nosso ch\u00e3o<\/i>\u201d. A realidade, por\u00e9m, \u00e9 bem diferente dessa can\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica: os barrac\u00f5es das comunidades perif\u00e9ricas, constru\u00eddos com todo o tipo de material encontrado, transformam a vida de quem precisa viver ali em uma caldeira fervente. Al\u00e9m de desconforto t\u00e9rmico vindo da fragilidade do material de constru\u00e7\u00e3o, do teto na maioria das vezes muito baixo e de material que absorve muito calor, da falta de \u00e1gua encanada, essas moradias n\u00e3o raramente abrigam fam\u00edlias inteiras em um \u00fanico c\u00f4modo, levando a conjun\u00e7\u00e3o desses fatores a um patamar muito mais severo o significado de ondas de calor. Acrescentamos ainda que muitos desses habitantes se deslocam por horas no transporte p\u00fablico superlotado e quente no trajeto de ida e volta do trabalho, e as poucas horas que t\u00eam para descansar e dormir antes de iniciar novo ciclo, muitas vezes s\u00e3o perturbadas pela incapacidade de ter um sono confort\u00e1vel e reparador dadas as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas do ambiente.<\/p>\n<blockquote><p><i>Vamos encarar os fatos: as temperaturas extremas n\u00e3o s\u00e3o mais um fen\u00f4meno de um dia, uma semana ou um m\u00eas. Se h\u00e1 algo que une nosso mundo dividido, \u00e9 que todos n\u00f3s estamos sentindo cada vez mais o calor.<\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><i>O trabalho oper\u00e1rio sob o sol durante o calor intenso<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Usar roupas leves e filtro solar; hidratar-se; evitar o sol entre 10 e 16 horas. Que bom se todos tivessem a oportunidade de seguir essas orienta\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, os que movem as engrenagens das grandes metr\u00f3poles nem sempre est\u00e3o nos escrit\u00f3rios envidra\u00e7ados com uma temperatura regular de 22 graus. A vida avan\u00e7a fora dos edif\u00edcios e muitos dos que fazem girar os motores da m\u00e1quina urbana s\u00e3o os que est\u00e3o sob o sol. Os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil, os motoristas dos \u00f4nibus de transporte p\u00fablico, os que pavimentam ruas e constroem e reparam estradas, os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o do metr\u00f4, os trabalhadores das redes de energia el\u00e9trica, e redes de \u00e1gua e esgoto, os que cuidam do departamento de jardinagem de pra\u00e7as e jardins, os carteiros, os\u00a0 entregadores, os servidores de limpeza p\u00fablica, os coletores de lixo, os agentes de mobilidade urbana e de tr\u00e2nsito, entre muitos outros. Quem est\u00e1 trabalhando sob o sol quando passamos de carro com os vidros fechados e com o ar condicionado do carro ligado? Por mais que as empresas sejam obrigadas a disponibilizar equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs) para os oper\u00e1rios, como, por exemplo, filtro solar, \u00f3culos de sol e capacetes para os que trabalham sob o sol, o desconforto de roupas de material sint\u00e9tico, \u00e1spero e grosseiro, luvas espessas, prote\u00e7\u00e3o para o rosto, capacetes e botas grossas e pesadas tornam as atividades desses trabalhadores ainda mais desconfort\u00e1veis. N\u00e3o seria o caso para a proposi\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios diferenciados para os trabalhadores que tenham que ficar expostas sob o sol intenso? Uniformes mais leves e de material mais confort\u00e1vel? Algumas empresas fazem isso, mas deveria passar a ser a regra, pois se trata da sa\u00fade desses trabalhadores.<\/p>\n<p><strong><i>Animais\u00a0<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Os animais que vivem \u2013 sobrevivem \u2013 nas grandes cidades est\u00e3o sujeitos a muitas intemp\u00e9ries: para os p\u00e1ssaros, as podas e os cortes indiscriminados destroem ninhos e causam a morte de muitos, aniquilam suas fontes de alimento, abrigo e repouso, acabam com suas poucas fontes de \u00e1gua que se originam nas gotas de orvalho. J\u00e1 longe de seus habitats naturais, de onde foram expulsos pelo desmatamento, agora enfrentam a dificuldade de sobreviv\u00eancia no ambiente urbano cada vez mais hostil a eles. Os animais maiores, como c\u00e3es e gatos, muitos deles descartados pelos tutores nas ruas e estradas, vagam \u00e0 procura de alimento e \u00e1gua; pequenos roedores, borboletas, abelhas, vespas, calangos, aranhas, v\u00e3o perdendo seus espa\u00e7os. O ambiente das metr\u00f3poles vai ficando cada vez mais cinza, quente, sem vida, seco.<\/p>\n<p><strong><i>Por um futuro menos sombrio<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio cercado por asfalto escaldante e concreto pode ter um futuro menos sombrio. Algumas iniciativas podem auxiliar as grandes cidades a tornarem-se menos \u00e1ridas e mais acolhedoras. Um primeiro passo seria tornar esses espa\u00e7os gigantescos em \u00e1reas mais humanizadas, mais iluminadas, providas de transporte p\u00fablico menos poluidor, menos barulhento, mais \u00e1gil e mais acess\u00edvel; promover os pequenos com\u00e9rcios de bairro, evitando longos e desnecess\u00e1rios deslocamentos; acolher espa\u00e7os verdes, com mais parques, avenidas arborizadas, e trocar, onde for poss\u00edvel, a massa asf\u00e1ltica por blocos que permitam maior permeabilidade; implanta\u00e7\u00e3o e espalhamento dos jardins de chuva; programas de coleta seletiva mais eficiente, com reciclagem de fato, impedindo que material de lixo acabe levado para bueiros e bocas de lobo; ilumina\u00e7\u00e3o das cidades, permitindo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o uma vida que possibilite um maior tr\u00e2nsito noturno de lazer e trabalho com mais seguran\u00e7a; viabilizar as redes hidrovi\u00e1rias para transporte e transforma\u00e7\u00e3o das margens de rios, riachos e lagos em \u00e1reas de lazer; olhar para a popula\u00e7\u00e3o menos favorecida; implantar hortas comunit\u00e1rias e espa\u00e7os de restaurantes populares; incentivar o plantio urbano de alimentos org\u00e2nicos; programas de educa\u00e7\u00e3o ambiental para esclarecer a popula\u00e7\u00e3o sobre meio ambiente, alimenta\u00e7\u00e3o livre de agrot\u00f3xicos, respeito aos animais e \u00e0 natureza. No lugar de ilhas de calor, jardins de chuva.<\/p>\n<p>Nada do que foi dito \u00e9 uma novidade, por\u00e9m o tempo passa e pouca coisa \u00e9 feita. A educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica ambiental ajuda a esclarecer a popula\u00e7\u00e3o sobre os seus direitos ambientais e tamb\u00e9m a cobrar \u2013 de quem cobrar, como e onde cobrar dos legisladores o cumprimento de promessas n\u00e3o realizadas. Uma das fun\u00e7\u00f5es do jornalismo ambiental \u00e9 ampliar esse debate, que n\u00e3o vemos na m\u00eddia comercial.<\/p>\n<p><strong><i>Refer\u00eancias<\/i><\/strong><\/p>\n<p>BONDUKI, N. <b>Os pioneiros da habita\u00e7\u00e3o social <\/b>\u2013 v. 1: cem anos de constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica no Brasil. S\u00e3o Paulo: Unesp \/ Sesc, 2017. 387 p.<\/p>\n<p>L\u00d6W, Jordana Let\u00edcia e NADER, Gilder.\u00a0 Esfera microclim\u00e1tica: ventila\u00e7\u00e3o, conforto e moradia. <b>Revista IPT Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o<\/b> v.2, n.10, abr., 2019.<\/p>\n<p>PORANGABA, Alexsandro Ten\u00f3rio. A habita\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda no Brasil: termos e conceitos difundidos pela pol\u00edtica nacional de habita\u00e7\u00e3o. <b>Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais<\/b>, v.22, e202038, 2020, p. 20.\u00a0 <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.22296\/2317-1529.rbeur.202038.%20Acesso%20em%2012\/03\/2025\">https:\/\/doi.org\/10.22296\/2317-1529.rbeur.202038. Acesso em 12\/03\/2025<\/a>.<\/p>\n<p>ROMERO, Marta Adriana Bustos et al. <b>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ilhas de calor urbanas<\/b>. Bras\u00edlia: Universidade de Bras\u00edlia, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2019 \u2013 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o \/ Editora ETB. 151 p., p. 13. Acesso 01\/03\/25. <a href=\"http:\/\/researchgate.net\/publication\/333466480_mudancas_climaticas_e_ilhas_de_calor_urbanas\">http:\/\/researchgate.net\/publication\/333466480_mudancas_climaticas_e_ilhas_de_calor_urbanas<\/a>. Acesso 01\/03\/2025.<\/p>\n<p>ROSSI, Francine Aidie; KR\u00d6GER, Eduardo Leite; BR\u00d6DE, Peter. <b>Ambiente Constru\u00eddo<\/b>, Porto Alegre, v. 2, n. 1, p. 41-59, jan.\/mar. 2012, p. 42. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/scielo.br\/j\/ac\/a.%20%20Acesso%20em%2013\/03\/2025\">http:\/\/scielo.br\/j\/ac\/a.\u00a0 Acesso em 13\/03\/2025<\/a><\/p>\n<p><em>Links<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/urbe.me\/lab\/em-30-anos-a-populacao-urbana-mundial-deve-ultrapassar-as-6-mil-milhoes-de-pessoas\">https:\/\/urbe.me\/lab\/em-30-anos-a-populacao-urbana-mundial-deve-ultrapassar-as-6-mil-milhoes-de-pessoas<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/unric.org\/pt\/onu-preve-que-cidades-abriguem-70-da-populacao-mundial-ate-2050\/#:~:text=Segundo%20a%20ONU%2C%20atualmente%2055,Objetivos%20de%20Desenvolvimento%20Sustent%C3%A1vel%2C%20ODSs\">https:\/\/unric.org\/pt\/onu-preve-que-cidades-abriguem-70-da-populacao-mundial-ate-2050\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.agenciacidades.com.br\/curiocidades\/o-mundo-tem-457-cidades-com-mais-de-1-milhao-de-habitantes\/18\">https:\/\/www.agenciacidades.com.br\/curiocidades\/o-mundo-tem-457-cidades-com-mais-de-1-milhao-de-habitantes\/18<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.22296\/2317-1529.rbeur.202038\">https:\/\/doi.org\/10.22296\/2317-1529.rbeur.202038<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.22296\/2317-1529.rbeur.202038\">https:\/\/doi.org\/10.22296\/2317-1529.rbeur.202038<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/labeee.ufsc.br\/linhas-de-pesquisa\/conforto-termico\">http:\/\/labeee.ufsc.br\/linhas-de-pesquisa\/conforto-termico<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/-calor-extremo-comentarios-do-secretario-geral-da-onu\">https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/-calor-extremo-comentarios-do-secretario-geral-da-onu<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/capital.sp.gov.br\/web\/subprefeituras\/w\/noticias\">http:\/\/capital.sp.gov.br\/web\/subprefeituras\/w\/noticias<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>* Andr\u00e9ia Terzariol Couto \u00e9 jornalista e p\u00f3s-doutora pela ECA-USP<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o aumento do aquecimento global gerando ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas, o conforto t\u00e9rmico tamb\u00e9m se mostra excludente. A vida nas metr\u00f3poles com as ondas de calor Grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial do mundo contempor\u00e2neo vive nas cidades, e nesse contexto, uma consider\u00e1vel parcela em metr\u00f3poles com mais de um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2183,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[351],"tags":[107],"class_list":["post-2848","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-urihi-a-terra-floresta","tag-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2848"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2850,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2848\/revisions\/2850"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}