{"id":3200,"date":"2026-05-05T17:57:53","date_gmt":"2026-05-05T20:57:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/?p=3200"},"modified":"2026-05-07T17:59:04","modified_gmt":"2026-05-07T20:59:04","slug":"de-pele-a-messi-cada-geracao-ve-seus-idolos-sairem-de-campo-agora-e-a-vez-do-torcedor-do-selfie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/?p=3200","title":{"rendered":"De Pel\u00e9 a Messi: cada gera\u00e7\u00e3o v\u00ea seus \u00eddolos sa\u00edrem de campo. Agora \u00e9 a vez do torcedor do selfie"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3190 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/gu2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" \/><\/p>\n<div class=\"cm-entry-summary\">\n<p>O futebol sempre teve prazo de validade. Uma gera\u00e7\u00e3o chega, domina, encanta. Depois, aos poucos, vai saindo de campo. E quem est\u00e1 na arquibancada aprende, cedo ou tarde, que \u00eddolo tamb\u00e9m tem apito final.<\/p>\n<p>A turma do r\u00e1dio de pilha viveu isso com Pel\u00e9, tricampe\u00e3o mundial em 1958, 1962 e 1970, que encantou o futebol mundial. Ao redor dele, um time de lendas: Garrincha, Coutinho e Vav\u00e1. Do outro lado do campo, rivais do mesmo tamanho: Eus\u00e9bio, Bobby Charlton, Franz Beckenbauer e o talentoso goleiro Lev Yashin. Era um tempo em que o jogo era narrado, mas nem por isso menos grandioso.<\/p>\n<p>Depois veio a gera\u00e7\u00e3o da TV ao vivo. O futebol ganhou imagem, ganhou replay, ganhou cor. E foi da sala de casa, diante da tela, que milh\u00f5es de torcedores viram seus \u00eddolos se despedirem. Nomes que tamb\u00e9m fizeram hist\u00f3ria e deixaram saudade: Paolo Rossi, Diego Maradona, Rom\u00e1rio, Zico, Michel Platini, Lothar Matth\u00e4us, Roger Milla, Zin\u00e9dine Zidane, Oliver Kahn, Rivaldo, Ronaldinho Ga\u00facho e David Beckham. Craques que sa\u00edram dos gramados deixando o jogo um pouco mais vazio e a mem\u00f3ria do torcedor ainda mais cheia.<\/p>\n<p>Ronaldo Fen\u00f4meno pertence a essa transi\u00e7\u00e3o. Ganhou as Copas de 1994 e 2002. \u00c9 fruto da televis\u00e3o, com os primeiros passos da internet ao redor. N\u00e3o nasceu na cultura digital, mas ajudou a atravess\u00e1-la.<\/p>\n<p>Quem, praticamente, inaugura na era do jogador conectado, midi\u00e1tico e global s\u00e3o os nomes que vieram depois, com perfis em redes sociais. E \u00e9 exatamente essa gera\u00e7\u00e3o que pode viver seu \u00faltimo grande ato na Copa do Mundo FIFA 2026.<\/p>\n<p>Lionel Messi, que completar\u00e1 39 anos em junho, e Cristiano Ronaldo, aos 41, chegam como s\u00edmbolos de longevidade e reinven\u00e7\u00e3o. Um pensa o jogo como poucos na hist\u00f3ria. O outro finaliza como ningu\u00e9m. Ainda podem resolver, ainda podem decidir, ainda podem mudar partidas. E fazem isso tamb\u00e9m fora de campo, como protagonistas da era digital: Cristiano Ronaldo soma cerca de 673 milh\u00f5es de seguidores no Instagram, Messi ultrapassa 512 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>E h\u00e1 o cap\u00edtulo brasileiro. Neymar, aos 34 anos, tornou-se o maior artilheiro da hist\u00f3ria da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira em jogos oficiais, superando Pel\u00e9 em 2023. Tamb\u00e9m \u00e9 um dos maiores nomes da gera\u00e7\u00e3o do selfie, com cerca de 235 milh\u00f5es de seguidores no Instagram. Mas o momento exige cautela. Les\u00f5es recentes e falta de sequ\u00eancia levantam uma d\u00favida: ser\u00e1 convocado? Chegar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de disputar e decidir uma Copa?<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio imaginou seus \u00eddolos. A da TV os viu. A do selfie conviveu com eles todos os dias, entre gols, bastidores e telas de celulares que nunca se apagam.<\/p>\n<p>E talvez por isso essa despedida pode ser mais dura.<\/p>\n<p>Porque, pela primeira vez, o torcedor n\u00e3o est\u00e1 apenas assistindo ao fim de uma era. Ele est\u00e1 perdendo personagens que fizeram parte da sua rotina de entretenimento no celular.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 simples, direta, quase cruel: todo craque tem seu \u00faltimo jogo. Sem prorroga\u00e7\u00e3o, sem VAR, sem replay.<\/p>\n<p><strong>* Renata Nandes \u00e9 jornalista, psicanalista e mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Digital<\/strong><\/p>\n<p><strong>* D\u00e9bora Vasconcelos \u00e9 graduanda em Jornalismo no Centro de Ensino Universit\u00e1rio do Distrito Federal (UDF)<\/strong><\/p>\n<p><strong>* Raphaela Kubo \u00e9 graduanda em jornalismo na UNIP<\/strong><\/p>\n<p><strong>* Edwaldo Costa \u00e9 jornalista, professor e p\u00f3s-doutor pela ECA-USP<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol sempre teve prazo de validade. Uma gera\u00e7\u00e3o chega, domina, encanta. Depois, aos poucos, vai saindo de campo. E quem est\u00e1 na arquibancada aprende, cedo ou tarde, que \u00eddolo tamb\u00e9m tem apito final. 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