{"id":3246,"date":"2026-06-13T10:00:25","date_gmt":"2026-06-13T13:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/?p=3246"},"modified":"2026-06-19T10:05:44","modified_gmt":"2026-06-19T13:05:44","slug":"a-selecao-nao-e-favorita-mas-esta-longe-de-ser-fraca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alterjor.eca.usp.br\/?p=3246","title":{"rendered":"A Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 favorita. Mas est\u00e1 longe de ser fraca."},"content":{"rendered":"<blockquote><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3190 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.usp.br\/alterjor\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/gu2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" \/><\/p><\/blockquote>\n<p>A Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 favorita. Mas est\u00e1 longe de ser fraca.<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas, o Brasil chegou \u00e0s Copas do Mundo carregando o peso de ser apontado como principal candidato ao t\u00edtulo.<br \/>\nEm 2026, o cen\u00e1rio \u00e9 diferente. A desconfian\u00e7a tomou conta de grande parte da torcida.<br \/>\nMuitos enxergam a Sele\u00e7\u00e3o de Carlo Ancelotti como uma equipe inferior \u00e0s gera\u00e7\u00f5es de 1970, 1982 ou 2002. Outros acreditam que Fran\u00e7a, Espanha, Inglaterra e Argentina est\u00e3o alguns degraus acima.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que a diferen\u00e7a \u00e9 realmente t\u00e3o grande?<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise da lista dos convocados revela um grupo talvez mais competitivo do que se imagina.<br \/>\nO Brasil possui protagonistas de alguns dos maiores clubes do planeta, atletas acostumados a disputar grandes decis\u00f5es, campe\u00f5es nacionais nas principais ligas da Europa e jovens que figuram entre os maiores talentos de sua gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No gol, poucas sele\u00e7\u00f5es apresentam tanta qualidade. Alisson, do Liverpool, h\u00e1 anos \u00e9 considerado um dos melhores goleiros do futebol mundial e disputar\u00e1 sua terceira Copa. Ederson construiu trajet\u00f3ria vitoriosa no Manchester City e segue como refer\u00eancia na posi\u00e7\u00e3o. Weverton, embora menos midi\u00e1tico, chega com a experi\u00eancia de quem foi campe\u00e3o ol\u00edmpico e protagonista em uma das fases mais vitoriosas do Palmeiras.<\/p>\n<p>Na defesa, a lideran\u00e7a \u00e9 de Marquinhos, capit\u00e3o do Paris Saint-Germain e um dos zagueiros brasileiros mais vitoriosos da Europa. Ao seu lado aparece Gabriel Magalh\u00e3es, titular absoluto do Arsenal e apontado por muitos analistas como um dos melhores defensores da Premier League. Bremer, da Juventus, traz a exig\u00eancia do futebol italiano. L\u00e9o Pereira vive o auge da carreira no Flamengo. Iba\u00f1ez, com experi\u00eancia internacional, oferece versatilidade para atuar em mais de uma fun\u00e7\u00e3o defensiva.<\/p>\n<p>As laterais talvez sejam o setor que mais gera d\u00favidas entre os torcedores, mas tamb\u00e9m escondem potencial. Wesley, da Roma, \u00e9 apontado como uma das grandes promessas da posi\u00e7\u00e3o. Danilo e Alex Sandro acumulam mais de uma d\u00e9cada de experi\u00eancia no futebol europeu e disputam sua reta final na Sele\u00e7\u00e3o. Douglas Santos, destaque do Zenit, oferece consist\u00eancia e experi\u00eancia internacional.<\/p>\n<p>No meio-campo, o Brasil possui uma combina\u00e7\u00e3o relevante entre experi\u00eancia, for\u00e7a e qualidade t\u00e9cnica. Casemiro, multicampe\u00e3o pelo Real Madrid, disputar\u00e1 sua terceira Copa do Mundo. Bruno Guimar\u00e3es tornou-se capit\u00e3o do Newcastle e um dos meio-campistas mais valorizados da Inglaterra. Fabinho oferece equil\u00edbrio defensivo e leitura de jogo. Lucas Paquet\u00e1 acrescenta criatividade e capacidade de romper linhas. Danilo, destaque do Botafogo, surge como uma das boas surpresas do ciclo final.<\/p>\n<p>O ataque est\u00e1 bom tamb\u00e9m. Vinicius J\u00fanior chega como uma das maiores estrelas do futebol mundial. Protagonista do Real Madrid nos \u00faltimos anos, \u00e9 o jogador brasileiro mais pr\u00f3ximo dos principais pr\u00eamios individuais desde Neymar.<br \/>\nRaphinha vive a melhor fase da carreira no Barcelona.<br \/>\nGabriel Martinelli \u00e9 pe\u00e7a importante no Arsenal. Matheus Cunha transformou-se em um atacante surpresa, capaz de criar e concluir jogadas. Luiz Henrique ganhou protagonismo nos clubes e na Sele\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIgor Thiago oferece presen\u00e7a de \u00e1rea e poder de finaliza\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 num bom momento.<br \/>\nRayan representa o futuro e jogou bem nos amistosos.<br \/>\nEndrick, aos 19 anos, carrega o privil\u00e9gio de ser apontado como uma das maiores promessas do futebol mundial. Para quem nem seria convocado, aparecer como apareceu nos amistosos impressiona.<\/p>\n<p>E h\u00e1, claro, Neymar. Aos 34 anos, o maior artilheiro da hist\u00f3ria da Sele\u00e7\u00e3o disputar\u00e1 sua quarta Copa do Mundo. Sua convoca\u00e7\u00e3o pode gerar debates, sobretudo pelas d\u00favidas f\u00edsicas recentes, mas sua presen\u00e7a oferece algo raro: experi\u00eancia, talento e capacidade de decidir uma partida em um \u00fanico lance. Se estiver entre os titulares, amplia o poder criativo do Brasil. Se come\u00e7ar no banco, a Sele\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um privil\u00e9gio incomum: poucos pa\u00edses no mundo podem olhar para a reserva e encontrar um jogador com o curr\u00edculo, a hist\u00f3ria e a qualidade t\u00e9cnica de Neymar.<\/p>\n<p>Existe ainda um fator que costuma ser negligenciado: o treinador.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, o Brasil ser\u00e1 comandado em uma Copa por um t\u00e9cnico estrangeiro. Carlo Ancelotti chega com um curr\u00edculo praticamente inigual\u00e1vel. Campe\u00e3o das principais ligas nacionais da Europa e recordista de t\u00edtulos da Liga dos Campe\u00f5es, o italiano construiu sua reputa\u00e7\u00e3o administrando elencos repletos de estrelas e vencendo nos ambientes mais pressionados do futebol mundial.<\/p>\n<p>Nada disso garante o hexacampeonato. Mas dizer que esta Sele\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 fraca simplesmente \u00e9 negar o futebol mundial.<\/p>\n<p>Quantas sele\u00e7\u00f5es possuem um goleiro do n\u00edvel de Alisson? Um zagueiro como Marquinhos? Um volante como Casemiro? Um atacante como Vinicius J\u00fanior? Um jogador com a hist\u00f3ria de Neymar? E um treinador como Carlo Ancelotti?<\/p>\n<p>Talvez o Brasil n\u00e3o seja o favorito da Copa de 2026. Mas est\u00e1 longe de ser o azar\u00e3o que muitos imaginam. Tem gente dizendo que sai na primeira fase. Imposs\u00edvel!<br \/>\n\u00c0s vezes, \u00e9 melhor que a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira chegue desacreditada, distante dos holofotes e sem o peso sufocante do favoritismo. Foi assim, em outras Copas, que muitas sele\u00e7\u00f5es tiraram o t\u00edtulo do Brasil.<\/p>\n<div class=\"entry-content post_content\">\n<p><strong>* Edwaldo Costa \u00e9 jornalista, professor e p\u00f3s-doutor pela ECA-USP<\/strong><\/p>\n<p><strong>* Renata Nandes \u00e9 jornalista, psicanalista e mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Digital<\/strong><\/p>\n<p><strong>* D\u00e9bora Vasconcelos \u00e9 graduanda em Jornalismo no Centro de Ensino Universit\u00e1rio do Distrito Federal (UDF)<\/strong><\/p>\n<p><strong>* Raphaela Kubo \u00e9 graduanda em jornalismo na UNIP e mora no Jap\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 favorita. Mas est\u00e1 longe de ser fraca. 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