O feminicídio é a expressão mais cruel da violência de gênero, resultado de um ciclo que começa muitas vezes no silêncio e na invisibilidade. Mulheres em todo o Brasil continuam sendo vítimas de uma cultura que naturaliza a opressão, ignorando sinais de alerta e descumprindo leis de proteção. São as vítimas do silêncio: aquelas cujas dores não são ouvidas, cujas denúncias muitas vezes não se transformam em proteção efetiva.
Em 2024, o Brasil registrou 1.450 feminicídios, deixando não apenas vidas interrompidas, mas também filhos órfãos e famílias devastadas. Cada número representa uma história de sofrimento e de perda, mostrando que a covardia do crime se estende para além da vítima, atingindo toda a rede de relações afetivas que dependia dela.
Embora mais de 630 mil medidas protetivas tenham sido solicitadas com base na Lei Maria da Penha, mais de 18% delas foram descumpridas, revelando a fragilidade das redes de proteção e a urgência de políticas eficazes que realmente garantam segurança e responsabilização.
A lei do feminicídio e a Lei Maria da Penha são avanços importantes, mas não são suficientes se o silêncio da sociedade, das autoridades e das próprias comunidades permitir que a violência continue. Conscientização, fiscalização rigorosa e engajamento coletivo são essenciais para quebrar esse ciclo e transformar o medo em proteção e justiça.
Cada ato de denúncia, cada medida cumprida e cada rede de apoio fortalecida é uma resposta direta à violência. Ao falar sobre feminicídio e suas consequências, rompemos o silêncio que mata e reafirmamos que a vida das mulheres importa.
Fontes:
1. “Brasil registra 1.450 feminicídios em 2024, 12 a mais que ano anterior” – Agência Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.
* Kátia Bizan é professora e pós-doutoranda na ECA-USP

